Remember: Rez

Olá caros amigos que acompanham ( ou só fazem uma visitinha mesmo ) o Retrojourney. Já faz um bom tempo desde a última postagem não é mesmo? Pois é, mas finalmente aqui estou eu disposto a trazer mais um dos nossos queridos retro games, mas desta vez não tão retrô assim. Lançado para o eterno mas hoje falecido Dreamcast ( mas também para  PS2 ) , Rez é um game único. Apesar de já ter mais de dez anos o título consegue impressionar até hoje pela sua ousadia e pela idéia inusitada de seu criador. Rez é um daqueles games que a primeira vista podemos classificar apenas como “experimental” e só poderia ter vindo mesmo de uma época onde não existia o medo de lançar algo totalmente novo e diferente nas prateleiras de games. Vindo da hoje já não tão grandiosa SEGA, Rez mostrou que a empresa não tinha medo de inovar ou investir em novas idéias e é claro que a “cobaia” deste incrível projeto só poderia ter sido mesmo seu console mais poderoso, Dreamcast. Se ainda não sabem do que se trata e não conhecem esse game, garanto á vocês que se me seguirem encontrarão um mundo fantástico e que fará com que abram suas mentes de uma maneira sem igual. Se já o conhecem então não preciso dizer mais nada.

Sinistesia…que diabos é isso?!

Olhando essa imagem o game parece tão exquisito quanto uma obra de arte moderna

Olhando essa imagem o game parece tão esquisito quanto uma obra de arte moderna.

Para entendermos melhor o princípio por detrás de Rez é primeiro necessário explicar as intenções de seu criador Tetsuya Mizuguchi, que entre outros projetos também trabalhou em games como Sega Rally. Sua idéia em Rez foi bem além do convencional, buscando inspiração em um evento chamado Sinestesia. Não, não tem nada a ver com anestesia, sinestesia nada mais é do quê a relação de dois planos sensoriais diferentes que acabam se unindo e assim aumentando nossa percepção. Para deixar mais fácil de se entender é como a junção do cheiro com o gosto, ou da visão com o tato, dois estímulos neurológicos diferentes que acabam por se completar aumentando nossa percepção das coisas.
Pois é…só poderia ter vindo da mente de um produtor japonês mesmo criar um game baseado em um conceito tão diferente e inusitado. Porém Mizuguchi e sua equipe conseguiram realmente encorporar a sinestesia em seu game Rez o que o transformou em uma experiência totalmente diferente do comum e que conseguiu arrebatar uma legião de fãs. Porém chega de aula e vamos ao que interessa, o game em sí!

Abra sua mente…ou tente!

Não, o game não esta bugado.

Não, o game não esta bugado.

Quando ligamos o console e começamos a jogar sem ter procurado saber a proposta por detrás do jogo a primeira coisa que notamos é o quanto Rez é “bizarro”. Primeiramente desde a tela de titúlo até o menu é tudo tão limpo e sem detalhes, porém quando entramos no primeiro cenário do jogo toda aquela “limpeza” dá lugar á um plano de fundo psicodélico que poderia muito bem ser descrito como uma “viagem de LSD”. Isso é o que dá pra pensar quando começamos a jogar sem muitas pretensões, se você viveu na década de 90 ( e se está aqui lendo um blog retrô provavelmente viveu ) deve se lembrar daqueles clipes bizarros e sem sentido que abusavam dos recém descobertos efeitos de computação gráfica para gerar coisas bem sem nexo e bregas enquanto eram embalados por músicas techno. Álias tem que ser bem das antigas mesmo para ainda usar esse termo sem querer de vez em quando hoje em dia…pois é né galera, quem aqui ainda se lembra de que era assim que chamavamos as tão famosas músicas eletrônicas nos anos noventa. Anyways…voltando ao assunto, é essa a impressão que temos a primeira vista quando entramos no primeiro “mundo” de Rez, a de estarmos em um “clipe interativo de música eletrônica dos anos noventa”

Nunca use nenhum tipo de drogas antes de jogar REZ, seria um desperdicío.

Nunca use nenhum tipo de drogas antes de jogar REZ, seria um desperdício.

O gameplay de Rez se comporta basicamente como qualquer shooter on rails que já tenham jogado. Seu personagem ( a silhueta de uma mulher ) não pode ser controlado, apenas o cursor da mira que óbviamente é usado para atirar nos vários inimigos. Passando esse cursor sobre vários inimigos é possível fazer um “lock on” e assim destruir todos de uma vez com uma rajada de tiros. Como seu personagem não pode ser movido a única maneira de se ver livre dos projéteis inimigos é destruindo os mesmos antes que te acertem, porém como o game tem aquele ar de “feito para ser experimentado” a tela não costuma ficar abarrotada de tiros ou mísseis, ao menos não nas primeiras fases onde óbviamente a intenção do criador foi dar ao jogador a chance de se familiarizar e entrar no clima do jogo. Porém mais adiante a coisa aperta um pouco mais e alguns bosses podem ser bem cabeludos se você não tiver bastante atenção. Álias esse é um fator que deve ser sempre lembrado em Rez, os cenários psicodélicos, coloridos e abarrotados de linhas que formam figuras são bagunçados de uma forma incrível e acabam por confundir nossos sentidos ás vezes, então devemos sempre estar bem atentos de onde estão vindo os projéteis inimigos. Ao serem derrotados alguns desses inimigos deixam “power ups” que podem ser coletados para evoluir nosso personagem, é necessário juntar uma certa quantia desses power ups antes de se subir um lvl, porém com apenas um tiro regredimos ao lvl anterior, sem piedade alguma. A também um item vermelho que quando coletado dá ao jogador a chance de usar um “overdrive” que nada mais é do que uma enorme explosão que funciona como uma bomba limpando a tela de todos os inimigos.
Rez foi idealizado de uma forma tão única que era vendido separadamente um controle chamado de “Trance Vibrator” ( não é aquele vibrator… ) que ajudava na experiência e imersão do jogo.

O tal controle "Trance Vibrator" para o game, dizem que era para uma experiência mais completa. Só não me perguntem como essa p*%#@ funciona.

O tal controle “Trance Vibrator” para o game, dizem que era para uma experiência mais completa. Só não me perguntem como essa p*%#@ funciona.

Cada um de seus tiros ao se chocarem com os inimigos criam um efeito sonoro que se mistura a música de fundo do jogo, assim como as linhas leves que compõe o cenário pulsam de acordo com as batidas da música eletrônica que embala o tiroteio. Tudo é bem ritmizado dando a impressão de que o jogador ajuda a compor de uma certa maneira a trilha sonora de cada estágio do jogo de acordo com o modo e a ordem com a qual destruir os vários inimigos que surgem tela após tela. A estória do jogo é tão boba quanto bizarra, aparentemente Rez gira em torno de um vírus que contagiou o “cyberespaço” e o jogador é um hacker que deve viajar pelo mundo computadorizado do game para eliminar o vírus área após área até chegar ao confronto final onde destruirá de uma vez por todas o maléfico vírus restaurando assim o computador central chamado “Eden”…pois é, apesar do game ter saído em 2001 mais pareçe um enredo de algo dos anos 80!

Da até a impressão de que os programadoras esquecerem de construir o cenário.

Da até a impressão de que os programadores esqueceram de construir o cenário.

Apesar da jogabilidade que aposta bastante em um evento “multisensorial” como o fato do jogador assimilar o que exerga na tela com os sons que cria ao derrotar os inimigos, Rez tem um trunfo ainda maior que é sua fase final. Após viajarmos por quatro estágios tematizados que vão desde uma pirâmide até uma cidade oriental chegamos finalmente ao estágio final do game que é onde a coisa fica realmente interessante. Como Rez é um game onde a estória pouco importa não fará mal nenhum dar um spoiler do que esse último estágio se trata. O fim de Rez nada mais é do que uma viagem pela criação do mundo…isso mesmo! Começando desde quando a vida surgiu e passando por diversos eventos como o surgimento da humanidade até a destruição da mesma e seguindo em frente o jogador pode experimentar uma das fases mais criativas já vista em um shooter. No final disso tudo o jogador transcende essa existência em busca de uma nova, no que o game chama de uma “nova imigração, enquanto guardamos as memórias de tudo que passamos” o que nos remete ao que acontece quando enfim morremos e deixamos este mundo em encontro ao “paraíso”. Independente da crença de cada um, não deixa de ser uma experiência única em um jogo, que em apenas alguns minutos nos leva desde a criação do planeta até o além da vida de uma forma artística única.

Para finalizar…

Se você está se perguntando se deve ou não jogar Rez, eu lhe digo que sim. Provavelmente quem se submeter a experiência que o jogo promete vai ter que vir com a mente um pouco aberta, eu por exemplo sendo um headbanger convicto fã do Heavy Metal e de muitas de suas vertentes tive que me adaptar a trilha sonora eletrônica de Rez, que diga-se de passagem é um estilo músical que eu geralmente odeio, mas aqui não tinha como ser de outra maneira, o jogo não seria o mesmo sem as batidas que dão vida a sua trilha sonora.
Se você tem vontade de experimentar um game realmente único de uma época onde a SEGA não tinha medo de tentar coisas novas vá em frente, provavelmente após jogar Rez você vai entender o por quê de muita gente considerar video games uma forma de arte.
O jogo pode ser encontrado em suas versões para Dreamcast e Playstation 2 ( embora por mais estranho que seje alguns dizem que a do Dreamcast é bem superior ) e também em sua versão HD para XBOX Live Arcade, independente de qual versão escolherem tenham um bom jogo.
See ya!

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7 respostas para Remember: Rez

  1. Bem… é um jogo… estranho xD mas parece bem interessante. Acho que o fato dos cenários ser incompleto, poderia ser ação do vírus. Dá pra fazer um roteiro sci-fi interessante com esse jogo.
    Tiago falou em LSD me lembrei daquele jogo de ps1 xD. É interessante ver como as empresas se arriscavam em trazer coisas novas e bizarras… digo, japonesas. Mais um jogo que me dá vontade de recomprar um ps2. Ótimo review e vê se não demora tanto assim pro próximo, eu tava esperando.=D

    • Tiago Steel disse:

      E ae velho tudo tranquilo? x)
      É uma boa teoria essa de que os cenários incompletos poderiam ser uma ação do vírus, eu não parei pra pensar nisso…apenas achei que fosse a jogada dos caras para criar um visual bem “artístico” e diferente…mas agora que você falou pode muito bem ter sido uma união dessas duas idéias. XD
      Eu já ví esse game LSD para o PSX! Cara que viagem bizarra aquilo…não é a toa o nome…se não me engano o produtor “montou” aquele game com fragmentos de alguns de seus sonhos…deve dar trabalho fazer um review daquilo…não saberia nem o que comentar primeiro hahahaha.
      Valeu pelo elogio mano, fico feliz que tenha curtido e pode deixar que vou tentar postar com mais frequência…TENTAR né…por quê parece que quando mais a gente planeja algo mais ao contrário sai o planejado hehehe.
      Até mais!

      • Eu sei como é essa parada de tentar postar com frequência. Lá no blog que eu participo é desse jeito.Eu até tento ter um dia fixo pra fazer as coisas, mas nem dá. Quando não falta inspiração falta tempo ou vice-versa.
        E quanto ao LSD, eu um dia fico noiado o suficiente pra jogar e entender aquela parada xD

  2. o enredo do game…algo nele me lembrou o Squad Cyber Samurai.um tokusatu. (é assim que se escreve?) que uns jovens hackers invadiam os computadores para vencer os virus do mal ou algo assim. passava na rede machete. sobre o game, aposto que se joga-lo, vou ter dor de cabeça com tanta cor na minha tela ao mesmo tempo.. mas algo nessas imagens me fez lembrar da minha infância, quando no terraço da minha casa, via o amanhecer e alguns sonhos loucos que tive ou tenho as vezes. vou dar uma chance a Rez, espero que não seja muito difícil.

    • Tiago Steel disse:

      E ai Lendro beleza mano?
      Então…se eu bem me recordo ( mas não tenho certeza ) esse “tokusatsu” era americano não era? Se for o que eu estou pensando era tosco para caramba né hahaha. Realmente Rez é um daqueles games que dão aviso sobre dores de cabeça e epilepsia na tela de ínicio pois abusa demais de cores e efeitos que podem acabar por acarretar essas crises em certas pessoas…eu não senti nada não…nunca tive problema com isso…mas se tu estiver mesmo afim de jogar pode ir de pouco em pouco que ai não vai ter dor de cabeça não…as fases são curtinhas.
      Mas cara…se você tem alguns sonhos que se parecem com Rez realmente devem ser bem loucos mesmo hahahaha! Dá uma chance pro jogo sim Leandro, ele não é dificil não…a não ser no final da última fase onde as coisas acabam complicado um pouquinho…mas vale a pena eu recomendo!

  3. kidy x-fire disse:

    Fala Tiago blz? Cara este game parece ser doideira pura kkkk. Não sei por que mas ele me lembrou um pouco o Tron deve ser por causa dá história e dos gráficos bem parecidos xD . valeu cara um abraço

    • Tiago Steel disse:

      E ae Marcelo tudo beleza meu velho? XD
      Pois é cara o jogo realmente é uma doideira pura mesmo, mas de uma forma bem artística viu, é muito interessante ver como os programadores usaram os gráficos e tal.
      E realmente ele também meu lembrou de Tron, principalmente pela temática do enredo e pelo jeito de alguns cenários, eu até ia citar isso mas no final acabei não o fazendo.
      E valeu a você isso sim por sempre estar vindo aqui conferir meus posts, outro abraço chapa!

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