Pérolas que não atravessaram o oceano: 8 Ganpuru – Gunman’s Proof

Muitos games lançados no japão não vieram parar nos lares ocidentais, disto todo mundo já está cansado de saber. Porém alguns destes jogos são tão divertidos e inteligentes que fica dificil entender o motivo de nunca terem chegado aqui deste lado do mundo. Um destes jogos é Ganpuru: Gunman’s Proof, uma mescla bem “doida” de The Legend of Zelda: A link to the past com um pouco de Mother 3 ( Earthbound ), a princípio você deve estar se perguntando: Mas como assim? Uma mistura entre dois jogos tão diferentes…não consigo imaginar. Acontece que Gunman’s Proof pega a jogabilidade já consagrada da série Zelda e a mistura com o visual escrachado e um tanto bizarro da série Mother, tornando-o um game que apesar de receber “influências” ainda assim consegue ter uma personalidade própria. Então se preparem para embarcar no estranho e divertido mundo de Ganpuru Gunman’s Proof em mais um: Pérolas que não atravessaram o oceano!

Duas xícaras de Zelda e uma pitada de Earthbound

Aaah a infância...vocês se lembram de quando costumavam exporar templos perdidos antes do jantar?

Aaah a infância…vocês se lembram de quando costumavam explorar templos perdidos antes do jantar?

Desenvolvido pela ASCII em 1997, Ganpuru: Gunman’s Proof só deu as caras no japão, provavelmente devido ao desinteresse do mercado ocidental no SNES nesta época onde o Playstation e o Nintendo 64 eram as maiores novidades. De fato foi uma grande perca já que Ganpuru é um dos games mais divertidos que já joguei para o saudoso console da Big N, não é tão bizarro e nem de jogabilidade confusa o que talvez poderia privar a diversão ocidental.
Os gráficos de Gunmans’s Proof são belos e bem coloridos com bastante detalhes em algumas construções. Os personagens bem caricatos e um tanto bizarros ás vezes ( o que nos remete a série Mother ) são muito bem desenhados pelos gráficos do SNES dando á cada um uma personalidade própria só de olhar. É o tipo de visual colorido e “amalucado” que infelizmente não estamos acostumados a ver mais hoje em dia, salvo raras excessões. A trilha sonora também é divertida, apesar de não muito variada, a música da única cidade do jogo cativa bastante com seus “assovios” e com certeza gruda na cabeça igual chiclete.

The legend of Bang-Bang: A bullet in the head

The legend of Bang-Bang: A bullet in the head

A introdução do jogo narra que um certo dia dois meteoros cairam em algum lugar da América do velho-oeste, porém os cidadões daquele tempo estavam tão ocupados cuidando de suas simples porém atarefadas vidas que nem deram muita importância ao fato. Passado algum tempo criaturas malignas e estranhas começaram a infernizar a vida dos moradores daquele local ( praticamente como aquelas gangs do velho-oeste já viviam fazendo mesmo ). Essas criaturas que se alto denominavam Demiseeds na verdade eram aliens a serviço de seu mestre Demi. Um certo dia um pacato garoto do vilarejo local estava pronto para sair e se divertir com seu revolver, afinal aqui é o velho-oeste não é mesmo? Até as armas possuiam armas. Quando outro pequeno meteoro caí diante dele, na verdade o meteoro se revela uma pequena nave espacial onde dois seres alienigenas viajaram até o nosso planeta. Eles explicam então que são dois sheriffs espaciais e que aqueles outros dois meteoros caídos ali anteriormente eram o criminoso espacial Demi fugindo de outro dos sheriffs espaciais. Após descobrirem que Demi está a solta na terra e causando o maior terror um dos aliens chamado Zero resolve colocar um fim naquilo tudo, enquanto o outro segue em frente com os reparos na nave danificada pela queda, Zero pede “gentilmente” que o garoto entregue seu corpo á ele, para que assim ele possa ter uma forma de contra atacar Demi…faz sentido afinal nada melhor do que o frágil corpo de uma criança contra toda uma horda de alienigenas armados não é mesmo? Após isso o jogador passa a controlar o tal garoto, armado com um simples revólver e seus punhos para partir então em busca do condenado espacial, outro mistério também é resolvido logo: E o outro sheriff espacial que veio perseguindo Demi até a terra? Bom na verdade ele está vivo e assim como Zero “possuiu” o corpo do pobre garoto, este acabou por possuir o corpo de uma espécie de mula ou cavalo chamado Robaton. A utilidade deste personagem é que por vários momentos ao estar andando pelo mapa os inimigos deixarão uma cenoura ao serem abatidos, esta cenoura faz Robaton aparecer, montado em Robaton o jogador fica invencível, além de muito mais rápido que o normal.

O mapa do jogo é extenso porém bem divertido e rápido de se explorar.

O mapa do jogo aparenta ser extenso porém é bem pequeno.

Um dos poucos “defeitos” do jogo é o pequeno mapa que o mesmo possui, ao olharmos a imagem que coloquei acima temos a falsa impressão de um mapa nos padrões dos da série Zelda, como por exemplo o de Link’s Awakening. O que infelizmente não é real já que o mapa de Gunman’s Proof é bem pequeno e contém muito poucos segredos. O ponto principal aqui sem dúvidas são os dungeons do jogo, a primeira vez que adentramos um é difícil não nos lembrarmos mais uma vez de The Legend of Zelda, porém logo notamos uma diferença significante: Os dungeons de Gunman’s Proof não possuem puzzles! Isso mesmo amigos, sem puzzle algum.
Se você for do tipo que adora os puzzles mais cabeludos dos dungeons da série Zelda vai acabar se decepcionando, porém se for daqueles que preferem logo ir pra ação vai adorar, tudo depende do seu perfil de jogador. Eu por exemplo gosto muito dos puzzles dos games da série Zelda, mas gostei bastante dos dungeons simplificados aqui.
Ainda assim explorar estes dungeons sempre é uma tarefa divertida, principalmente se levarmos em conta como alguns tem um design confuso o que acaba por deixar tudo mais complicado do que deveria ser, mas…pelo menos adiciona um pouco de dificuldade á falta de puzzles. Todos os dungeons possuem quatro tesouros escondidos que ao serem encontrados adicionam pontos ao score do jogador. Além disso na maioria dos dungeons existe algum upgrade para suas armas que são bem úteis ao longo da aventura, o jogador mais afobado com certeza passará batido por isso já que a maioria dos dungeons levam a sala do boss de uma maneira bem rápida, então sempre é uma boa idéia explorar cada cantinho dos dungeons antes de se enfrentar o boss do lugar, mesmo que já esteja na porta da sala dele.

Sua avó com certeza não iria gostar de saber que anda brincando em cavernas cheias de monstros enquanto porta uma arma.

Sua avó com certeza não iria gostar de saber que você anda brincando em cavernas cheias de monstros enquanto porta uma arma…

Por falar nos bosses do game, todos são bem criativos e geram duelos bem medianos, a única dificuldade aqui é que a maioria deles não possuem pontos fracos o que gera uma batalha onde devemos apenas atirar sem parar sem estratégia alguma. O game não é dificil ainda mais se levarmos em conta que seu personagem possui “vidas” ou seja, se morrer para o boss e estiver com uma vida sobrando será revivido ali mesmo durante a luta, se tiver mais de uma vida então…as chances de sobrevivência serão ainda maiores, tudo isso tira muito da dificuldade do jogo.
A cada dungeon conquistado o jogador deve voltar a cidade onde ganha uma recompensa pela derrota do boss, e também aprende a usar uma nova arma com o velho vendedor de armas da cidade. O arsenal é grande indo desde uma shotgun e uma metralhadora até uma bazuca. Ao derrotar alguns inimigos eles aleatoriamente deixarão estas armas, todas possuem um limite de uso que diz respeito a quantas balas possuem.

Não, não é zelda essa imagem...

Não, não é zelda essa imagem…

Embora Gunman’s Proof  seja uma versão simplificada e mais voltada a ação da série The Legend of Zelda, ainda assim vale a pena ser conferido. É um game que não demanda muito tempo podendo ser terminado em 6-7 horas, a experiência que tive ao joga-lo foi gratificante demais para um game que eu poderia estar simplesmente taxando de clone. Ganpuru Gunman’s Proof consegue ter uma jogabilidade divertida, gráficos lindos e coloridos e é impossível não simpatizar com as animações dos personagens, todas bem engraçadinhas e intensas. O visual do mundo bizarro e diversificado onde cowboys, aliens e seres sobrenaturais convivem juntos é mais do que o suficiente para atrair os fãs da série Earthbound e a jogabilidade rápida aliada aos dungeons simples acabam por gerar uma boa experiência para qualquer retrogamer que se preze.
Espero que tenham gostado de descobrir mais esta pérola, e bom jogo á todos!

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10 respostas para Pérolas que não atravessaram o oceano: 8 Ganpuru – Gunman’s Proof

  1. parece ser um joguinho bom de ser descoberto. os gráficos desse game são bem chamativos. e gostei de saber que ele é um rpg tipo Zelda, mas sem os puzzles. já tenho uma pancada do gênero para zerar, talvez esse seja a lufada de ar fresco que esteja precisando. o jogo poderia ser um Cowboys e Aliens infantil. hehheheh.

    vou procurar por ele agora para jogar, como é curtinho vale a pena dar uma olhada.

    • Tiago Steel disse:

      E ai Leandro, beleza meu velho?
      Realmente foi um game que gostei bastante de descobrir, começei a jogar pra ver qual era a do game e no outro dia já tinha terminado. Os gráficos são muito bonitos, coloridos e tal e os personagens muito caricatos, fora as animações deles tudo é muito bom. Se você procura algo na praia de Zelda mas não quer ficar quebrando a cabeça então esse jogo é o que está precisando mesmo no momento XD

      Jogue-o sim, é bem curto e tenho certeza que vai achar divertido!

  2. Angelo disse:

    Esse jogo aí é obscuro mesmo, nunca nem imaginei que existia algo assim xD
    Só uma correçãozinha lá no começo do post Mother 2= Earthbound, o Mother 3 é o de GBA( que é bem legal tbm ^^.

    • Tiago Steel disse:

      Pois é Angelo, até eu não imaginava que um game assim pudesse existir, mas é japão né meu velho? XD E pra piorar o game ainda é divertido pra caramba!
      Quanto ao que disse ai de eu ter falando Mother 3 ( Earthbound ) eu sei que o 3 é o de GBA…que álias é perfeito! Só coloquei o Earthbound entre parenteses pra caso algum leitor não souber exatamente que jogo é “Mother” ele puder associar com a franquia Erthbound, que é como é conhecido a série Mother por aqui. Abraço velho e volte mais vezes.

      • Angelo disse:

        Nah, eu pensei que tivesse sido vacilo, aí o Pasquale-gamer dentro de mim resolveu agir. Pena que só tivemos um Earthbound conhecido por Earthbound,Mother 3 só em japa, mas tem patch de tradução. Pense numa família amada por muita gente.
        E com certeza volto.

  3. kidy x-fire disse:

    Fala Tiago blz cara? somente vc mesmo para nos trazer estes antigos porém ótimos games e por isso que sempre estou visitando seu blog valeu. Tava aqui pensando, será que não foi este game que inspirou o em 2011 o romancista Scott Mitchell a criar o livro Cowboys vs Aliens que mais tarde veio a se tornar um filme? Neste caso acho que qualquer semelhança não e mera coincidência. kkkkkkk. Um abraço cara.

    • Tiago Steel disse:

      E ae Marcelo, como tá cara?
      Que bom que continua visitando sempre o Retro Journey, mesmo que ele ande parado um pouco atualmente haha. Realmente pode apostar que esse game é ótimo sim…e quanto ao lance ai do livro/filme Cowboys vs Aliens ter sido “inspirado” nesse jogo…olha cara o mundo é cheio de surpresas, e já que você e o Leandro disseram a mesma coisa sobre essa história do filme ai eu já to começando a ter minhas dúvidas ein hahaha. De qualquer maneira no jogo tem mesmo cowboys e aliens, mas de uma forma totalmente cômica XD
      Valeu pelo apoio como sempre velho, e tu anda sumido ein, apareça mais vezes XD
      Abraço!

  4. Cosmão disse:

    Vi uns tempos atrás, mas não fui atrás de jogá-lo. Uma pena ele ter o mapa pequeno e não conter puzzles nas dungeons, pois o estilo adotado (Zelda’s like) ficou muito bacana! Não deixa de ser uma ótima pedida, entretanto, já que existem patchs de tradução pro inglês.

    • Tiago Steel disse:

      Eu também fiquei “ensaiando” um bom tempo antes de jogá-lo Cosmão. Deixei a rom aqui um bom tempo, mas quando decidi jogar…acabei viciando, o jogo é muito divertido e como eu disse os dungeons são curtos o que deixa o game bem pouco maçante…apesar de que infelizmente também o deixa mais fácil. O estilo Zelda adotado ficou realmente bom, e com certeza é uma ótima pedida quando se quer um game assim só que mais simples. O patch de tradução dele é perfeito, sem erros ou coisas estranhas na caixa de diálogo…realmente parece algo super profissional.

  5. Belo post TIago. Aproveitei “carona” no especial de 5 anos do Shugames e (só agora, hehe) vim cair aqui. Que joguinho bacana. Já deixei ele separadinho no emulador para uma jogada futura.

    Um abraço, e continue com o blog!

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