Pérolas que não atravessaram o oceano: 9 Metal Max Returns

Os jogadores de RPG, principalmente os mais chegados ao estilo nipônico apelidado de “JRPG” estão acostumados as fórmulas batidas e clichês dos mesmos. É normal começar um jogo sabendo que encontraremos espadas, magias, dragões e princesas em algum ponto do game. A não ser que você esteja jogando Metal Max Returns! Esqueça todos os clichês possíveis, esqueça os heróis cheios de honra e coragem, as espadas, as magias e também princesas.
Em Metal Max tudo aquilo a qual estamos acostumados nos RPG’s mais tradicionais cai por terra, dando lugar á um mundo diferente e único que até então não tinha sido explorado nos antigos RPG’s japoneses. Com certeza desbravar o mundo deste jogo é uma viagem única e se vocês querem mais detalhes é só me seguir!

Bem vindos ao mundo de Mad Max! Metal Max!

Lançado em 1995 para o Super Famicom, ou como conhecemos aqui no ocidente, Super Nintendo. Metal Max Returns é o remake do primeiro game da franquia Metal Max lançado para NES em 1991.
Diferente de tudo que já haviamos visto no mercado até então, Metal Max pega a velha fórmula dos RPG’s japoneses onde geralmente viámos enredos medievais e fantasiosos e a modifica para um mundo pós apocaliptico onde a população vive em um mundo em ruínas convivendo com criaturas mutantes, seres robóticos e máquinas em geral. E isso tudo antes de Fallout pensar em existir. A primeira vista após ler isso você deve estar pensando “nossa um mundo pós apocaliptico devastado, esse jogo deve ser deprimente”, porém Metal Max consegue transformar esse mundo decadente em algo extremamente divertido usando de muito bom humor. Seu personagem em Metal Max é o filho de um mecânico que sonha em se tornar um caçador de monstros. Após ser chutado para fora de casa por seu pai que na realidade queria que seu filho seguisse seus passos se tornando um mecânico também, acaba por encontrar um velho e aparentemente fraco tank de guerra em uma caverna. A partir dai é só começar a seguir seu sonho de ser um caçador. Aparentemente é isso, o game não nos joga uma história complexa na qual nos vemos envolvidos logo de ínicio, tudo se inicia de uma forma despretenciosa e segue assim por um bom tempo.

Essa luta não me parece muito justa...

Essa luta não me parece muito justa…

Os gráficos do jogo não são nada excepcionais porém tanto os cenários quanto os personagens são bem inspirados e únicos, para não falar dos estranhos e engraçados inimigos espalhados aos montes pelo game todo. Dá pra notar só de olhar pelas imagens que Metal Max é um game que não se leva muito a sério sempre investindo em coisas bizarras e engraçadas. Porém é na jogabilidade diferenciada que se esconde o trunfo deste game. Assim como citei anteriormente o objetivo de Metal Max é realizar seu sonho de se tornar um caçador de monstros, mas para isso é necessário estar bem equipado. Além das armas e armaduras encontradas pelo game que vão desde um estilingue até um lança misseis, existem também os tanks de guerra. Esses tanks são o que torna Metal Max um jogo ainda mais único, existem vários espalhados pelo mundo só esperando para serem encontrados. A bordo de um tank o menu de batalha muda e então o jogador pode escolher entre usar a arma principal ( geralmente um canhão com um poderoso tiro que vai se esgotando conforme usado ) ou a secúndaria que é uma arma de apoio que pode ou não ter munição infinita. Ainda é possível customizar seu tank colocando pedaços de metal para aumentar sua defesa, porém a cada peça colocada o peso da máquina aumenta, chegando em um ponto onde o tank não pode mais se mover. Nesse caso a única opção é retirar algumas peças pesadas.
Para que seus tanks possam continuar equipados e não ultrapassarem o peso também tem a opção de se comprar um novo motor que aumenta a capacidade de peso que ele pode carregar.
Muito do jogo se desenvolve nessa proposta de customização de tanks, onde peças e armas das mais variadas podem ser combinadas. Fora as armas também existem as C-units, unidades de controle dos tanks que podem ter os mais variados efeitos como por exemplo aumentar as chances de pegar os inimigos de costas na batalha e por ai vai.

Acredite, você passará muito tempo montando seus tanks. Quase como uma criança com uma caixa de Lego.

Acredite, você passará muito tempo montando seus tanks. Quase como uma criança com uma caixa de Lego.

Mas Metal Max também tem sua parte de “realidade”, e os tanks não podem fazer coisas impossíveis como por exemplo subir escadas ou entrarem em um bar. Para isso o jogador tem o comando de descer do mesmo.
O mundo do jogo é imenso, como poderiamos mesmo esperar de um jogo RPG não linear. Tudo aqui parece feito pra te manter ocupado por horas a fio sem notar o tempo passando. Os detalhes são enormes para um jogo de 16 bits e coisas para se encontrar e explorar não vão faltar. De fato é até possível comprar um detector de metais para que enquanto estiver andando no mapa poder localizar peças, minas terrestres e até mesmo um tank enterrado abaixo da terra. Não esquecendo também de entradas que dão em tuneis subterraneos que levam á cidades nos confins mais distantes, remotos e inacessíveis do mapa. Fenomenal!
Nas partes onde os tanks não chegam, o jogador é obrigado a ir a pé mesmo, usando armas como chaves de fenda, facas e armas de fogo como magnuns e shotguns. Os NPC’s que formam seu grupo também podem oferecer ajuda, mas para isso é necessário encontra-los antes já que o jogo não é linear e você pode acabar chegando longe sem ao menos saber que pode ter alguem em seu grupo. Por isso é uma boa idéia sempre falar com as pessoas nas cidades para descobrir se algum NPC alí tem potencial para integrar seu grupo.
A também alguns atrativos a serem descobertos na cidade, como o bar onde você pode pagar uma rodada para todo mundo, tocar uma música no jukebox, além de jogar em uma máquina de aposta de corrida de sapos (?) e comer um aperitivo dado direto na boca pela rapariga local. Nos bares também é onde se vende alguns ítens estranhos e sem útilidades deixados pelos inimigos que servem como ingredientes pelo que pude entender…apesar de que eu não comeria uma unha de macaco suja ou verruga de polvo, mas as pessoas do mundo de Metal Max Returns vivem em um planeta terra devastado então não devem ser muito exigentes com o que comem.

Pelo visto esse é o Brasil do mundo de Metal Max...

Pelo visto esse é o Brasil do mundo de Metal Max…

Desde o começo do game existe um aparelho que mostra a localização do jogador no mapa, dá pra pensar só de olhar que o jogo é enorme. Porém ele não é enorme…é GIGANTESCO. Isso talvez vá afastar aqueles jogadores que não gostam muito de ficarem perdidos, mas em Metal Max é justamente essa a graça do jogo. Perdidos pelo mapa os jogadores vão encontrar cidades, casas, dungeons, ítens.
Até existe uma história mais séria no jogo, que como sempre para variar inclui salvar o mundo, porém ela não é aparente até estarmos muito longe no jogo.
Apesar do humor aparente no jogo e nos detalhes que ele possui como por exemplo, se deixar seu tank por muito tempo do lado de fora da cidade sem guarda-lo em um galpão ele ficar todo sujo de titica de passarinho, obrigando o jogador a lavá-lo com sabão. Ou o fato de as vezes quando dormir no inn um mosquito picá-lo lhe retirando 1 de HP. Metal Max Returns tem um final realmente surpreendente e realista que vai deixar o jogador mais dedicado com a sensação de “…sério que salvei o mundo pra ficar assim agora?”.

Sair de casa com uma mão na frente e outra atrás e voltar em um tank...com certeza lhe trará alguma fama!

Sair de casa com uma mão na frente e outra atrás e voltar em um tank…com certeza lhe trará alguma fama!

O jogo tem seus pontos ruins também, um deles é o fato dos menus serem pouco amigáveis. É necessário usar muitos comandos e apertar de botões para fazer tarefas realmente simples como por exemplo equipar outro personagem do seu grupo. O espaço para guardar ítens é muito pequeno e se esgota rápido. Fora isso alguns pequenos detalhes que aparentemente foram colocados por diversão como o fato de ás vezes quando seu personagem beber demais no bar ele não conseguir subir no tank acabam atrapalhando. Eu mesmo demorei a notar que meu personagem não conseguia subir no tank por este motivo…
Mas o jogo como um todo é um dos melhores RPGs que já joguei dentre os dísponiveis na biblioteca de games japoneses que nunca vieram para o ocidente. A não linearidade alinhada a quantidade de coisas a serem feitas são o suficiente para manter os jogadores mais exigentes ocupados. Procurar tanks, achar cidades perdidas, encontrar NPCs para seu grupo, customizar seus tanks, caçar os monstros procurados para pegar as recompesas tudo isso é muito divertido. E alinhado ao clima bem humorado e ao cenário único do jogo o torna um RPG que todo fã do estilo deveria ao menos tentar jogar por um tempo.

Um galão de combustivel com pernas, esse é apenas um dos exemplos de inimigos de Metal Max Returns.

Um galão de combustivel com pernas, esse é apenas um dos exemplos de inimigos de Metal Max Returns.

Conclusão

Mais viciante do que Coca-Cola!

Mais viciante do que Coca-Cola!

Preciso deixar uma coisa clara, apesar de ser fã dos antigos RPG’s orientais, tais como Final Fantasy, Secret of Mana, Dragon Quest ( esse principalmente ) entre outros, hoje em dia já não consigo arranjar tanto tempo ou ânimo pra seguir em frente nesses jogos. Geralmente os jogo em doses homeopáticas já que o grind necessário para se subir de lvl e derrotar os inimigos mais poderosos ás vezes é derradeiro. E como já terminei a maioria dos mais interessantes como a série Final Fantasy e Dragon Quest acabam sobrando poucos titúlos realmente interessantes a qual eu possa ( e queira ) dedicar boa parte do meu tempo, preferindo dar esse tempo á games de plataforma, ação etc. Porém quando descobri Metal Max Returns isso mudou! Fazia tempo desde a última vez que eu ligava meu Dingoo e via sua bateria se esgotando tão rapidamente á ponto de eu ter que salvar o game as pressas. Isso é para vocês verem o quanto Metal Max Returns te suga para seu divertido mundo.
Se aceitam um conselho…joguem este game! Garanto que não vão se arrepender.


See ya!

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10 respostas para Pérolas que não atravessaram o oceano: 9 Metal Max Returns

  1. Jogo aí parece bonzão. Mas to vendo que tem muito japonês aí. Saiu algum patch de tradução?

    • Tiago Steel disse:

      Opa beleza Alexsander?
      O jogo é mais do quê bom, é excelente! Isso é se você não se importa de jogar um game pouco linear que não tem praticamente nada de história. Álias…até tem uma história mas isso é bem pelo final. E sim tem um patch para deixa-lo em inglês, o patch está terminado e é completão…vale a pena encarar!

  2. o game parece bacana Tiago, dei uma conferida. mas em japonês…tá dificil. somente jogos da série Megaten que faço algum esforço para ir em japonês mesmo. já outros. vou procurar esse patch, mas já aviso que nem sei instalar algo assim. mas como ainda estou no começo, não corro o risco de ter save apagado com um enorme progresso. e poste mais vezes, sentiamos sua falta

    Hee-Hoo

    • Tiago Steel disse:

      E ae Leandro, tranquilo?XD
      Cara o game é bacana sim…eu particularmente achei super viciante e profundo, só peca mesmo se você for o tipo de jogador que gosta de MUITA história…já que como eu citei o game só apresenta um enredo mais profundo perto do final mesmo.
      O patch pro inglês é fácil de se achar cara e também o modo de aplicar é bem simples, se bobear procurando direitinho você já acha a rom traduzida mesmo. Vale a pena jogar eu recomendo!
      Tentarei postar mais vezes, na realidade eu sempre tento mas é que anda meio osso mesmo…valeu por sempre estar conferindo as postagens daqui cara!

  3. Olá! Sou blogueiro e escritor, e tenho um site de análise de retrogames, com conteúdo muito bom. Estava buscando sites com conteúdo parecido e fiquei muito feliz de encontrar seu site! Já estou curtindo a página e gostaria de convidar você para conhecer o http://velhonoob.blogspot.com , onde analisamos em detalhes e profundidade os games que marcaram época. E ficaria feliz se houvesse uma parceria, pois nossos sites tem muito em comum! Grande abraço a todos da equipe e SUCESSO a todos nós.

  4. kidy x-fire disse:

    e ae Tiago blz? Cara gostei muito deste game vou tentar joga lo pois e dequeles que eu gosto nao linear com explorcao de mapas e varias outras coisas para se fazer que nao podem faltar em um bom rpg. Valeu por mais este otimo game cara um abraco

    • Tiago Steel disse:

      E ae Marcelo, tudo tranquilo man?
      É tá na cara que tu ia curtir, é um daqueles games pra se jogar horas a fio sem se cansar com muito conteúdo e coisinhas escondidas. Com certeza é um RPG que leva ao pé da letra o significado do titúlo dando muita liberdade ao jogador como todo RPG de video game deveria ser mesmo. É até estranho vindo de um RPG japônes que tende a ser mais linear.
      Que bom que curtiu o post velho, espero que curta o game quando jogá-lo também, outro abraço!

  5. Fala Thiago, isso que eu chamo de um post apaixonado.

    Sempre fico admirado com a criatividade dos japoneses para criar games. Esse misto de bizarrice com humor nosense é único da cultura nipônica. Fiquei super interessado em Metal Max, andava esses dias afim de ler sobre um RPG diferente e após sua matéria, já separei Metal Max (traduzido) para jogar em breve.

    Um abraço, e boa seman!

  6. Caramba, eu tenho impressão que vou continuar achando jogo de NES e SNES pra jogar pro resto da vida. Sempre acho algo que não conhecia e que dá curiosidade de jogar.

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