Aaah! it’s Halloween!

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Ah, o halloween. Essa data que acompanha as crianças que cresceram nos anos 90 a tanto tempo, mas que nunca foi de fato aceita ou incorporada em nossa sociedade tupiniquim. A verdade é que o halloween se tornou uma data muito conhecida e comemorada mundo afora nos últimos anos, até mesmo em países onde a cultura americana foi menos abrangente do que aqui. Embora muitos considerem quem gosta ou celebra a data de algum modo de ser um mero consumidor de “cultura americana” que ignora a cultura do proprio país, e até já tentaram dar alternativas ao halloween com coisas como dia do Saci (?). A verdade é que o alcance e a fascinação com o imaginário de horror que o halloween sempre trouxe as crianças que cresceram expostas a essa data através de programas de TV e cartoons é única.
Por este motivo, mesmo que ainda longe de ser popular por aqui, nada impede que cada um comemore o halloween a sua maneira. Um dos modos que os jogadores encontraram para isso, é comemorar o mesmo através de jogos. Os Video Games sempre foram lar de vários jogos com temática de terror. Desde o Atari com sua versão nada assustadora de Friday the 13th (AKA Sexta Feira 13) até a ascenção dos consoles modernos com jogos como Outlast e o natimorto P.T. da produtora de pachinkos Konami.
Se você assim como outros jogadores ao redor do mundo quer comemorar o halloween a sua maneira, jogando alguma coisa, vamos conferir aqui algumas dicas de jogos para essa data. Só avisando que vou evitar sugerir e me aprofundar em jogos MUITO famosos e que já sejam de conhecimento de geral.

Série The House of the Dead

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A série  The House of the Dead é uma velha conhecida dos jogadores “dasantiga”. Lançado em 1996 para os arcades e depois portado para Sega Saturn e PC, o primeiro House of the Dead é bem cru, não sendo nem de longe o primeiro shooter on rails, mas com certeza sendo o mais famoso de sua época. Em uma época onde atirar em zumbis ainda não era a febre toda que foi no começo dessa década, House of the Dead conseguia atrair por sua ambientação. Embora o primeiro jogo tenha envelhecido muito mal em sua parte visual, as sequências conseguem contornar um pouco esse problema. O ápice da série para mim, sempre será The House of the Dead 2. O clima de filme de terror B do jogo é muito bom, os diálogos e a dublagem ruim só acrescentam a coisa toda, independente de ser proposital ou não. O terceiro jogo já perdeu um pouco do clima da série, os cenários mais focados em interiores, bases e laboratórios cansam rápido. O mesmo pode ser dito do quarto jogo da série que aparentemente foi o menos difundido. As coisas mudaram de rumo a partir do quinto jogo, lançado originalmente para Nintendo Wii e mais tarde portado para PS3 e PC, chamado The House of the Dead Overkill. A produção desse jogo foi feita por um estúdio ocidental, ao contrário dos originais que foram produzidos por estúdios japoneses da SEGA.

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Em Overkill o tom de “zoeira” deixa de lado aquele típico humor mais clássico e “estiloso” que tirava sarro de maneira mais contida com os filmes B de horror e passa a ser escrachado ao extremo. Muitas das situações podem até mesmo ser consideradas ofensivas para aqueles que não tem uma tolerância muito boa, indo desde xingamentos até incesto. Um dos personagens, Isaac Washington é uma clara referência aos personagens de blaxploitation, parodiando principalmente personagens interpretados por Samuel L. Jackson. Seria um personagem deveras engraçado, se os produtores não tivessem exagerado com o tanto de xingamentos que o personagem diz, o que o torna várias vezes irritante ao extremo. No entanto, ao contrário de várias séries japonesas que caem nas mãos de produtras ocidentais, Overkill mantém um alto padrão e é possívelmente um on rails melhor até mesmo dos que os House of the Dead anteriores. Muito recomendado, se você não for do tipo sensível que se ofenderá fácil com o clima mais “Tarantino” do jogo. Aliás, Tarantino com certeza foi a inspiração máxima para essa sequência, com as algumas ilustrações do jogo, como a box art, até mesmo parodiando filmes como Grindhouse.

Castlevania Chronicles

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Vamos por partes. Primeiramente, explicando o porque este foi o Castlevania que escolhi recomendar aqui. Isso é simples: É um dos que aparentemente menos pessoas que conheci tiveram contato.
Castlevania Chronicles foi originalmente lançado para um obscuro (ao menos aqui no ocidente) computador caseiro japonês, chamado X68000. A versão citada aqui porém é a para o Playstation 1, que mais uma vez, foi um tanto quanto ignorada na época por ter saído no final da vida útil do console já. Muita gente já havia, e outros estavam, migrando para o potente PS2, e esse jogo não era um Metroidvania como Symphony of the Night e sim um mero “remake” do primeiro Castlevania para o NES.
A simplicidade do jogo, que era apenas um jogo de plataforma comum, após Symphony of the Night ter entregado um sistema tão robusto de jogabilidade, aliado ao fato do PS2 já estar no mercado a um ano, fez com que muita gente ignorasse essa entrada na série.

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O jogo em sí é exatamente aquilo que se propõe, um Castlevania clássico, contando com tudo que os originais tinham. Porém, falha em ser um remake do primeiro Castlevania, e embora isso possa ser visto tanto como uma vantagem, como uma desvantagem, fica a critério de cada um escolher. A primeira fase do jogo com certeza é a original do NES refeita, com o mesmo chefe e até posição de inimigos. Porém a partir da segunda, chefes e localidades mudam drasticamente. Fãs de longa data vão sentir falta de inimigos como as múmias e o Frankenstein. Enquanto outros podem vir a gostar de enfrentar os novos chefes como um esqueleto dragão e um mago (?).
O jogo também conta com continues infinitos e até mesmo deixa o jogador salvar seu progresso para recomeçar da fase em que parou. Um modo Arrange está disponível também, mas não consegui sentir diferenças além do design de Simon aprensentar cabelos fabulosamente rosados e da trilha sonora (que imagino ser o motivo do nome “Arrange”) ter versões arranjadas das músicas originais das fases, o que sinceramente ficou um cocô em minha humilde opinião.
Vale a pena ser conferido por ser um título meio esquecido da série, e embora não traga nada de novo para quem já é familiarizado e seja fácil demais, ainda consegue divertir. Atualmente o jogo está disponível na PSN para PS3 e PSP.

Ghosts’n Goblins, Ghouls’n Ghosts e demais Makaimurices

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Ghosts’n Goblins é um clássico. Todos certamente já conhecem o jogo por aqui, mas é inevitável citar a série de Arthur. Famosa por sua dificuldade cabeluda, e por frustrar até mesmo o jogador mais hardcore possível na época, graças a brilhante idéia de só mostrar o final verdadeiro após o jogador terminar o jogo duas vezes seguidas, a série Ghosts’n Goblins, que engloba sua sequência Ghoul’n Ghosts a qual merecidamente é a mais conhecida e memorável, tem o clima perfeito para o Halloween. Não só pelo fato do jogo original já começar com Arthur de cueca no meio do cemitério com sua namorada (quem nunca?) como também pelo fato da moça ser raptada por ninguém menos do que o satã em pessoa.
Nesse pedaço de história que provavelmente não é citado na bibliografia do famoso cavaleiro britânico, Arthur precisa enfrentar todo tipo de monstros, demônios, bestas e demais amigos do capiroto enquanto seu pior inimigo o acompanha durante a jornada toda: o sistema de pulo duplo.
Sinceramente, tenho problemas com esse pulo do Arthur até hoje. Apesar de útil, não serão poucas as vezes que um pulo duplo mal calculado irá matar você nesses jogos.  A melhor versão da série clássica certamente é Super Ghouls’n Ghosts para o Super Nintendo. O último jogo da série lançado até o momento é Ultimate Ghouls’n Ghosts para PSP, que é uma excelente pedida também, embora os gráficos 2.5D não sejam tão agradáveis quanto o 2D dos originais.
Mas talvez, o mais interessante de se citar aqui, é que um inimigo dessa série, deu origem a uma pancada de Spin offs muito boa…

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Red Arremer, conhecido no ocidente por Firebrand. É um dos inimigos mais icônicos de Ghosts’n Goblins, sendo o primeiro inimigo a matar Arthur na primeira vez que todo jogador jogou o jogo. Por algum motivo o inimigo se tornou tão popular, que a Capcom resolveu criar uma série de spin offs baseada nele, e focada no Makaimura (Demon Realm na versão ocidental, ou seja, a terra dos demônios por onde Arthur se aventura para salvar a princesa Prim Prim/Gwinevere na franquia principal). Conhecida no ocidente como Gargoyle’s Quest, o jogo é uma mistura de RPG com plataforma, tendo dois jogos, um para Game Boy monocromático, e outro para NES, ambos excelentes.
Mas o creme da coisa toda, foi Demon’s Crest no SNES, jogo a qual já citei aqui no site e fiz um review sobre, mas que vale a pena ser lembrado por um simples motivo:
Demon’s Crest é, ao menos para mim, melhor do que sua série principal. Não apenas os gráficos são excelentes e superiores aos de Super Ghouls’n Ghosts, como também sua jogabilidade é totalmente aprimorada, com Firebrand conseguindo diversos power ups e contando com movimentos e boss battles anos luz superiores a de qualquer jogo da série Ghouls. Para finalizar, até mesmo a trilha sonora, que já era excelente na série original, é ainda melhor aqui, com uma pegada mais gótica e ainda mais sombria. Junte a isso vários fínais e um enredo mais complexo do que o da série original (não que isso seja difícil…); e Demon’s Crest toma de lavada o prêmio de “melhor jogo da série”, mesmo sendo apenas um spin off.

Sweet Home

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Sweet Home já foi desconhecido, mas nos últimos anos após ter recebido uma tradução, e após diversas matérias, tanto em revistas quanto na internet, apontando o jogo como o verdadeiro pai de Resident Evil, o jogo acabou se tornando massivamente conhecido.
De fato esse jogo é o merecido predecessor de Resident Evil, ao contrário de Alone in the Dark como é citado por ai, de onde Resident Evil copiou mais os ângulos de câmera estáticos do que qualquer outra coisa.
É irônico se pararmos para pensar que esse jogo, nada mais era do que uma adaptação de um filme de terror japonês, para o Famicom. Enquanto no ocidente os jogos baseados em filme eram geralmente uma porcaria completa, no Japão, até mesmo um jogo que carregava um estígma desses, não apenas foi bom, como foi a inspiração para uma das séries mais famosas dos Video Games.

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Por mais estranho que soe hoje em dia, onde os Survival Horror games já se tornaram um padrão, e até foram esquecidos, com várias séries do gênero estando mortas ou se tornando jogos de ação. Na época, a maneira encontrada pela Capcom para produzir um jogo do tipo, foi escolher faze-lo um JRPG. Sim, um RPG.
No jogo, o jogador controla uma equipe de cinco personagens, cada um contando com uma técnica única. Esses personagens são parte de uma equipe de televisão que foi investigar uma mansão considerada mal assombrada, para gravar para um programa de TV (até mesmo o tema de visitar uma mansão infestada de criaturas malígnas é algo que já nos remete a Resident Evil). Essas técnicas únicas devem ser usadas em conjunto para resolver os vários enigmas da mansão assombrada, que ao contrário de Resident Evil que explica tudo através de experiências genéticas, aqui é capirotismo puro!
Cada personagem pode fazer uma ação própria, seja fotografar um quadro para exibir a solução de um puzzle, ou usar um aspirador de pó para recolher os cacos de vidro de uma sala e poder passar por ela (?). Sendo um RPG é de se esperar que cada personagem conte com pontos fortes e fraquezas, sendo muito importante defender aqueles mais fracos e até mesmo saber dividir os times e não levar todos ao mesmo tempo para evitar as chances de todo mundo morrer de uma vez.
Seet Home merece um lugar nessa lista não apenas por ser um jogo de terror, em um console tão antigo quanto o NES, o que faz dele um dos primeiros jogos de horror, mas também por seu conteúdo gráfico. Não me refiro aos gráficos do jogo em sí, que são bem padrão NES mesmo, mas sim ao “gore” do jogo. Monstros dos mais nojentos possíveis, símbolos religiosos, corpos em decomposição com pedaços caíndo e todo tipo de coisa que deixaria a velha Nintendo of America de cabelo em pé. O que aliado ao fato do filme em que foi baseado nunca ter chegado ao ocidente,e do jogo ser um JRPG, já explica e muito os motivos dele nunca ter sequer tido uma chance de vir para esse lado do oceano.

D e D2

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Chegamos a possivelmente, o jogo mais difícil de se “recomendar” dessa lista.
D, lançado originalmente para 3DO e algum tempo depois portado para o Playstation 1. É um daqueles jogos que passa longe de ser “para todo mundo”. É feio, é lento e por causa desses motivos, é frustrante.
O jogo é um daqueles adventures ao estilo Myst, só que com foco em terror e ambientado em cenários interiores, ao contrário de uma ilha aberta.
Como foi lançado originalmente para 3DO, em uma época onde o CG ainda era uma novidade, não é de se espantar que D tenha envelhecido muito mal em sua parte visual. Infelizmente, o mesmo pode ser dito de sua jogabilidade também. O jogo é lento…ou melhor, é MUITO lento. Ações demoram uma eternidade para acontecerem, pois tudo precisa ser carregado, e como se trata de cenas gravadas, toda vez é necessário esperar que elas terminem por completo. Se por um acaso morrer em algum momento, é necessário reiniciar o jogo TODO DESDE O COMEÇO NOVAMENTE! e rever todas as cenas novamente, não é algo muito fácil de descer.
Porém, D é um daqueles jogos únicos, que só produtores japoneses são capazes de entregar. Seu criador, Kenji Eno, tinha várias idéias a frente de seu tempo, como o fato de transformar a protagonista em uma espécie de “atriz virtual” e usá-la em vários de seus jogos, mesmo sem uma ligação exata entre eles. A história gira em torno de Laura que chega no hospital em que seu pai trabalha após receber a notícia de que ele havia surtado e matado várias pessoas. Ao chegar no lugar, ele se transforma em um castelo e bem…por ai já da pra gente ter uma idéia do quão bizarro o jogo é. Dizem que a idéia era que D fosse um jogo de terror medieval, e que a idéia do castelo foi o que sobrou disso.
Embora seja maçante de se jogar as vezes, o jogo não é longo, durando apenas cerca de duas horas. Kenji Eno provavelmente tinha altas idéias para incorporar no seu jogo, mas foi barrado em várias, conseguindo de última hora, através de um “jeitinho brasileiro japonês” até mesmo fazer uma cena de canibalismo ser incorporada ao jogo. O que para a época era um taboo imenso.

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Após um jogo que não tem ligação com a série, chamado Enemy Zero, lançado para Sega Saturn e PC, contando com Laura, mas sem ser a mesma Laura de D, apenas o mesmo “modelo” (lembram-se da idéia de atriz virtual, citada a pouco?…então) D2 foi enfim lançado, para o Sega Dreamcast.
Muito mais ambicioso do que o original, D2 começou a ser produzido para o Panasonic M2, console que deveria ter sido o sucessor do 3DO, se tivesse sido lançado. O jogo seria muito diferente da versão para Dreamcast, contando com viagem temporal e coisas do tipo, mas com o cancelamento do console da Panasonic, o D2 original também foi cancelado.
Com o poder do novo console da SEGA, Kenji Eno tinha a plataforma perfeita para refazer D2, dessa vez com uma história menos maluca, mas não menos ambicioso. O jogo apesar do nome, não tem ligação direta com o primeiro D, mas ainda assim, é considerado sua sequência (?). Mais uma vez, no controle da “atriz virtual” ou digital, Laura, o jogador deve explorar as montanhas geladas do Canadá, onde a personagem acabou indo parar após o avião em que estava sofrer um acidente. D2 tem uma jogabilidade ambiciosa, pra não dizer estranha. O jogo é um survival horror mais padrão, com a vista em terceira pessoa, por cenários 3D. Porém vários elementos foram incorporados a essa jogabilidade, como o fato de Laura poder usar um rifle para caçar animais selvagens na neve, e depois cozinha-los e assim recuperar sua energia. O sistema de combate do jogo é uma mistura de RPG e FPS. Explicando, enquanto anda pelos cenários (um tanto cansativos devido ao fato de ter neve pra todo lado), os inimigos não são visíveis como em um jogo de horror comum. Ao invés disso, eles podem surgir “do nada”, como monstros de RPG e atacar Laura. Nesse momento, o jogo assume uma mira em primeira pessoa, na qual o jogador pode mirar nos inimigos e atirar até matar eles. Ao final das batalhas, Laura ganha uma quantia de XP e pode subir de nível, aumentando assim seu HP.
É…não é um sistema comum para um survival horror, mas é bem funcional. Infelizmente, uma das idéias de Kenji Eno, era de que o jogo surpreendesse o jogador causando sustos ao encontrar os inimigos do nada. Porém a idéia foi frustrada pelo leitor de discos do Dreamcast, que por ser muito barulhento, sempre alertava o jogador carregando os inimigos que iriam aparecer.
D2 não deixa de ser bizarro, com vários momentos e personagens estranhos, e criaturas grotescas. Rola até uma cena de um semi tentacle rape em um momento. É um bom jogo de horror, e anos luz a frente do primeiro D. Infelizmente é ai que a série acaba, pois com o antigo estúdio que produziu ambos os jogos morto, e seu criador, também morto (Kenji Eno, infelizmente, faleceu em 2013), a série está igualmente…morta.

Menções honrosas!

É impossível fazer um post de terror, sem citar alguns jogos que são marcos do gênero.
Como citei no início do post, tentei não recomendar os jogos que todo mundo já conhece, mas como também acho impossível ignorar alguns desses jogos, vamos a uma rápida listinha!

Resident Evil

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Resident Evil provavelmente foi o primeiro contato de muitos jogadores com o gênero Survival Horror (até porque foi quem criou o termo), já que pouca gente tinha condições de terem um PC para conhecerem Alone in the Dark na época. Embora não sendo o idealizador da coisa, Resident Evil foi o que melhor trabalhou sua jogabilidade. Tente jogar nem que for o primeiro Resident Evil do Playstation, e depois os Alone in the Dark originais de PC e vai ver só o que é jogabilidade ruim…
O horror de estar trancado em uma mansão cheia de zumbis e criaturas malígnas, a trilha sonora fenomenal, e o sistema de jogo, que obriga o jogador a economizar munição e itens de cura foi algo que fez muita gente encarar o primeiro jogo da série como algo totalmente inédito. Embora nos últimos tempos a série tenha saído totalmente dos trilhos, os Resident Evil originais sempre serão um marco do terror nos Video Games.

Silent Hill

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Ao lado de Resident Evil, Silent Hill foi um dos expoentes do gênero Survival Horror. Embora não tenha sido o pioneiro do gênero, com certeza é o mais marcante. Pelo simples motivo de que o horror de Silent Hill vai bem além de apenas o medo de ter o cérebro comido por um zumbi. O terror de Silent Hill era menos B e mais refinado. Um terror psicológico criado através da ambientação e da sonoridade (feita pelas mãos do mestre compositor Akira Yamaoka). Sem contar seu enredo, bem mais complexo e tenebroso do que o de Resident Evil. Contando com seitas, “bruxaria” e todo tipo de coisa mais sobrenatural ao invés do terror biológico de Resident Evil.
Silent Hill será eternamente a melhor série de terror dos Video Games.

Série Shin Megami Tensei

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Shin Megami Tensei é uma série de JRPG única. Iniciada no Famicom onde era conhecida apenas como Megami Tensei, baseada nos livros do escritor japonês Aya Nishitani. A série se tornou tão popular por lá, que acabou até mesmo influenciando as continuações literárias do escritor. Em um dos raríssimos casos onde a mídia derivada, acaba na realidade se tornando mais conhecida e inspirando a original.
Shin Megami tensei geralmente conta a história de um personagem, ou de um grupo de personagens que conseguem através de aparelhos eletrônicos invocar demônios para ajudá-los em batalhas. Dizer isso é apenas arranhar a superfície da série, conhecida por suas narrativas maduras, e com MUITO teor relígioso. Shin Megami Tensei vai além, e seu sistema de “recrutamento” de demônios através de conversas é considerado um predecessor do sistema de captura de monstrinhos usado em Pokémon. Junte a isso uma gama imensa de demônios que podem ser coletados e usados como aliados em seu grupo, e a narrativa complexa e você tem o JRPG que no Japão está nos patamares de Dragon Quest e Final Fantasy. Embora no ocidente a série Persona, um spin off de Shin Megami Tensei, seja a mais reconhecida. Shin Megami Tensei é de longe a série mais macabra. Com sua ambientação muitas vezes pós apocalíptica e solitária e seus vários demônios biblícos e mitológicos. Shin Megami Tensei III Nocturne de PS2 certamente tem uma das ambientações mais desoladoras de uma série de Video Game.

Baroque

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Jogo já citado aqui no site, se descer a página inicial um pouco encontrará seu review, então tentarei ser breve. Baroque foi originalmente lançado para Sega Saturn e depois portado para Playstation. Nenhuma dessas versões deixou o Japão. Apenas com seu remake lançado para PS2 e Wii foi que os jogadores ocidentais puderam jogar o jogo, e aparentemente…pouca gente se interessou.
Baroque não é nenhum primor técnico, em nenhum aspecto. Gráficamente, é um jogo simples, tanto o original, quanto seu remake. A jogabilidade é frustrante e básica, em ambos os casos também.
Então, o que torna Baroque tão especial a ponto de ser citado aqui?…simples, sua ambientação. Os cenários, e seus habitantes e criaturas, principalmente no remake para PS2 e Wii, com sua engine gráfica melhorada, são coisas dígnas de David Lynch. A cidade escura, um tanto industrializada e habitada por criaturas deformadas que vivem sofrendo por seus pecados, e a Neuro Tower com sua arquitetura estranha, recheada de inimigos bizarros são um show de character design. O sistema de “morrer para avançar” também é algo único, e ajuda a diminuir a frustração pela dificuldade dos andares e itens randômicamente gerados nos dungeons da Neuro Tower.

Illbleed

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Mais uma vez, um jogo que eu já falei sobre aqui no site. Illbleed é mais um dos jogos puxados para o terror B da coisa. Aquele terror menos Night of the Living Dead e mais Return of the Living Dead. Pendendo bem mais pro lado “comédia” da coisa, mas sem deixar de ser macabro as vezes. Seja explorando uma serralheria onde os bonecos de madeira ganham vida pra te atacar. Ou enfrentando o monstro deformado que é o pai de um garoto que foi queimado até a morte e agora persegue quem entre em sua residência com um lança chamas. Seja encontrando um bolo com cobertura de sangue em um shopping assombrado ou ajudando um clone bizarro do Woody de Toy Story a encontrar sua namorada, uma boneca dona de uma bunda descomunalmente grande, enquanto enfrenta um boneco possuído do Sonic the Hedgehog. Não faltam situações bizarramente engraçadas e até perturbadoras para se encontrar nesse jogo. O seu sistema baseado em encontrar armadilhas escondidas pelo cenário através dos sentidos da personagem, é ao mesmo tempo incrivelmente inovador e interessante, e frustrantemente mal implementado.
Ainda assim, Illbleed é um daqueles jogos que é uma cria única, da qual nunca mais veremos hoje em dia, em uma geração tão focada em jogos realistas, mega coerentes e com orçamentos gigantescos.

Zombies Ate My Neighbors

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Tenho um caso engraçado com esse jogo. Sempre o via na locadora na época que tinha meu velho Super Nintendo. Porém a capa que tinham para ele nessa locadora estava incompleta, era apenas a parte da frente, e a detrás estava rasgada por algum motivo. Como a ilustração frontal não informava NADA sobre o jogo, eu nunca o alugava. Até que, em mais um daqueles dias onde não havia nada mais sobrando para alugar (o que acontecia com quem chegasse atrasado no sábado por exemplo…), eis que resolvo levar esse jogo.
Meus amigos, eu não poderia ter ficado mais feliz! Em Zombies Ate My Neighbors você controla duas crianças, um garoto com visual bem RADICAL ANOS 90 DUUDE! e uma garota. A cidade foi infestada de zumbis e demais criaturas malígnas e cabe ao jogador resgatar as pessoas que aparentemente não estão se importando muito com o ocorrido.
O que faz esse jogo tão especial, é sua homenagem aos velhos filmes de terror B. Com inimigos bem variados indo desde zumbis, até formigas mutantes, alienigenas e…até mesmo um bebê gigante (?)
Se não bastasse isso, os gráficos são muito agradáveis, as armas bem humoradas e variadas são o que torna a jogabilidade do jogo ainda melhor. E sua trilha sonora é fenomenal. Contando com uma quantidade absurda de fases, cada uma com títulos um melhor do que o outro (geralmente parodiando filmes de terror antigos), o jogo se torna divertido em dobro jogando com um amigo. Pra falar a verdade, é como se o jogo tivesse sido feito para ser jogado em dupla.

Splatterhouse

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Você é uma espécie de Jason e pode sair por ai espancando monstros com um pedaço de madeira, arremessando eles contra a parede com tanta força que eles se espedaçam em uma mancha de sangue e carne grudada ao fundo do cenário.
Precisa mais do que isso?!…Splatterhouse com certeza é um dos primeiros jogos a trazer uma violência gráfica dígna dos velhos filmes de terror gore. Isso antes de Mortal Kombat existir!
Os dois primeiros jogos são excelentes, o terceiro divide um pouco opiniões por se afastar da clássica e simples fórmula da série e implementar uma jogabilidade mais a par com os beat’em ups da época, com movimentação mais livre. Porém o brilho do terceiro jogo são suas ceninhas digitalizadas, que ocorrem durante o jogo. Conforme Rick falha em chegar a tempo para salvar sua amada e seu filho, cenas bizarras e grotescas são exibidas e narradas para mostrar o que ambos estão sofrendo perdidos na mansão.
Se você tem a versão do jogo para XBOX 360 e PS3, que apesar dos pesares, não é um jogo de todo ruim…mas não é nem de longe tão bom quanto a trilogia original, sorte sua. Pois os três jogos originais são destraváveis nele após terminar o jogo.

Série Doom

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Não precisa dizer mais nada. Doom é Doom. O jogo que fez com que os jogadores de PC da época tivessem algo da qual poderem se gabar perante os jogadores de console que ficavam com todos os jogos bons até então. Doom é praticamente uma parte da cultura pop mundial. As versões de Doom e Doom II para PC, que continuam sendo as melhores, contam com uma gama imensa de MODs para deixar o jogo do jeito que você quiser, seja com resolução e texturas melhores, seja aumentando a violência ou adicionando novos cenários.
Doom e Doom II são basicamente a “mesma” coisa, com Doom II apenas aperfeiçoando o que o original já tinha. Melhorando a jogabilidade, os cenários e adicionando mais inimigos e armas. Já Doom III é uma mudança bem grande pra série. Que agora tem um pouco menos de foco na ação, e mais nos sustos. Isso é até perto do final do jogo, quando os produtores desistiram de tentar assustar o jogador e resolveram deixar ele sair matando tudo a torto e a direito. Se querem minha opinião, aconselho Doom II. Uma série de jogos onde você vai até o inferno explodir demônios com uma calibre 12, enquanto heavy metal toca o tempo todo ao fundo, certamente não tem como ser ruim.
Doom 4 (pra variar, como é costume nessa geração de video games, chamado apenas de Doom), para PS4, XBOX One e PC parece ser uma bela volta as raízes, espero poder experimentar ele em breve.

Alone in the Dark: The New Nighmare

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Deixando claro uma coisa antes que todos perguntem “por quê recomendar só o The New Nightmare e não os demais Alone in the Dark originais?”…a resposta é simples: Porque envelheceram MUITO mal.
Não me levem a mal, eu compreendo o fator histórico que esses jogos tem hoje em dia, mas como muitos jogos de PC da época, a trilogia Alone in the Dark original dos anos 90 para PC, envelheceu mal demais. Não tem como você querer se passar por “retro gamer oldschool” e querer salvar aqueles jogos…eles simplesmente, são muito ruins de serem jogados hoje em dia.
Alone in the Dark: The New Nightmare por outro lado, não só envelheceu muito melhor, como é mais acessível para ser jogado seja em consoles mais “recentes” ou no PC, sem precisar e gambiarra.
Nesse jogo que é claramente inspirado na jogabilidade e nos visuais de Resident Evil (que por sua vez, era baseado na jogabilidade e visuais dos primeiros Alone in the Dark, criando aqui um parodoxo de inspirações (???) ) você controla Edward Carnby, o mesmo protagonista dos Alone in the Dark originais, mas que aqui, ao invés de ser um gentleman britânico, é um descendente de índios nativos americanos (?).
Bom, é considerado um reboot, então faz sentido. Na realidade faz ainda mais sentido pelo enredo do jogo, mas não quero passar spoilers. Apesar de ser baseado em um conto de H.P. Lovecraft, eterno mestre do horror (mais precisamente em O caso de Charles Dexter Ward, livro que recomendo), os monstros são bem…”meh”…e não fazem jús as criaturas criadas por Lovecraft. Felizmente os cenários são muito belos e os gráficos também são bons para a época. A jogabilidade é totalmente chupinhada de Resident Evil, mas isso não é uma coisa ruim. Com certeza é um excelente jogo de terror, contando com várias localidades, divididas entre dois personagens, é um dos meus jogos de terror preferidos.

Bloodborne

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Ok, me desculpem…mas PRECISO quebrar as “regras” desse site dessa vez. Simplesmente porque Bloodborne é FANTÁSTICO! Até o momento é com certeza meu jogo preferido da nova geração. Não apenas por sua jogabilidade perfeita e técnica, como é de lei em qualquer jogo da série Souls, mas também por sua ambientação e enredo.
Como em todo jogo da série Dark Souls, o qual Bloodborne de certo modo faz parte, o enredo do jogo não é contado através de ceninhas a cada dez minutos, e sim, deixado para que o jogador descubra sozinho e o interprete, através de diálogos e de itens encontrados ao longo do jogo, e eventualmente, alguma ceninha ou outra.
No jogo você é um caçador, que chega a cidade de Yharnam conhecida pelo seu ritual de cura que supostamente curaria qualquer doença. Mas você chega em uma noite bem…bizarra, e dai em diante deve seguir dilacerando várias criaturas bizarras e cidadões deformados. E aos poucos descobrindo os segredos bizarros do ritual de sangue que supostamente curaria qualquer doença e as raízes da “religião” na qual a crença da cidade foi fundamentada.
Porém, para mim, além da jogabilidade, o que mais surpreende em Bloodborne, é o design visual. Não só dos personagens, trajes e da cidade, com sua arquitetura gótica distorcida e cenários extraterrenos e dimensionais. Mas principalmente…das criaturas. Onde nenhum Alone in the Dark (que eram mais diretamente baseados em contos de Lovecraft) teve exito; Bloodborne conseguiu com louvor. Os seres antigos pertencentes a uma raça alienigena, são uma clara influência das criaturas descritas e criadas por Lovecraft em suas histórias. Mas o mais surpreendente, é que NUNCA antes, alguém tinha conseguido captar tão bem a aparência bizarra desses seres, como Bloodborne. H.P. Lovecraft com certeza ficaria orgulhoso de ver algo conseguir dar vida as criaturas descritas por ele de maneira tão perfeita. Eu acredito que nunca mais, alguma mídia consiga chegar tão perto de ilustrar fiélmente os seres criados por Lovecraft (mesmo que de maneira indireta) como Bloodborne conseguiu.

Bom, é isso pessoal. Acho que deu para dar algumas idéias para vocês, de jogos para aproveitarem no halloween. Mas se acharem que me esqueci de algum jogo, ou quiserem recomendar algum que não foi citado nesse post, sintam-se a vontade.
Boa noite e bom halloween!

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4 respostas para Aaah! it’s Halloween!

  1. Bruno Acioli disse:

    Excelente lista, mas … faltou Deadly Premonition! hauheuaheha
    bem que meu café me avisou disso

  2. Gamer Caduco disse:

    Ótima lista, mesmo! Gostei das menções a jogos que possuem temática de terror, embora sejam jogos mais de ação ou qualquer coisa assim.
    Eu não sou muito de jogar jogos de terror mesmo, os que vc mal consegue agir e tudo mais. Prefiro os Doom, Castlevania e G’nG da vida! XD

    • Tiago Steel disse:

      Hey, e ai Caduco, quanto tempo! Eu também não gosto desses jogos mais estilo Outlast onde você não tem chance de se defender e sua única saída se encontrar um inimigo é fugir e se esconder. Prefiro algo estilo Silent Hill onde em último caso posso pelo menos dar uma paulada no bicho. Eu ia citar até mais jogos de NES como Kid Dracula e Monster Party, mas achei que ia ficar coisa demais já e não queria deixar o post muito maçante xD

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