Remember: Mach Rider

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O ano é 1985, o Famicom, empreitada da Nintendo pra tentar emplacar um console no Japão já era um sucesso nacional. Mas a Nintendo sabia que com os poucos e não muito criativos jogos que o console contava desde seu lançamento em 1983, não segurariam a barra da galera por muito tempo. Para contornar isso, uma nova leva de jogos diferenciados era lançada, dando aos jogadores que já estavam se cansando de coisas bobas como Soccer, Mahjong e Tennis, algo novo e criativo para se jogar.
Mach Rider foi um desses novos jogos, apostando em uma experiência bem arcade, com um visual e temática bem diferentes dos jogos mais bonitinhos da Big N, fez pouco sucesso, mas por algum motivo esse jogo tem um lugar especial no meu coração…

You are Mach Rider!

Reforçando o início do post, o ano é 1985, e nessa época as coisas ainda eram simples…BEEEM simples. Mach Rider não fugiu disso. Mas mesmo por trás dessa simplicidade, ressaltada ainda mais pelo modo como ele envelheceu…mal, não se enganem, ele foi um jogo até que bem ambicioso para sua época. Principalmente por se tratar de um lançamento caseiro, de um jogo com cara total de arcade.
Mach Rider é daquela época tão simples que nem mesmo os manuais, conhecidos por serem cheios de ilustrações, informações e historinhas, das eras 8 e 16bits eram assim ainda. Até mesmo o manual do jogo é cru, contando com poucas páginas, nenhuma cor e descrição de objetos e personagens feitos com sprites do próprio jogo, obviamente, sem nenhuma outra informação de qualquer tipo de enredo.

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Mas havia sim um pano de fundo pra coisa toda. Contado em poucas linhas no início do jogo ( ao contrário do que era normal na época, de se narrar qualquer enredo no manual e nada no jogo ), o lance é o seguinte: O planeta do Mach Rider ( o nome dele é exatamente isso, não tem qualquer citação sobre um nome de verdade no jogo… ) foi invadido por aliens chamados “quadrunners”…porque eles correm por ai…sobre quatro rodas.
Por favor, não me olhem estranho!…é exatamente essa a história da coisa. Como se não bastasse invadir o planeta do cara, os aliens quadriciclos (?) destruíram a cidade de Mach Rider. Desolado e sem opções, Mach Rider faz o que todo protagonista durão dos anos 80 faria…pega sua moto e vaza embora pra procurar outra cidade pra viver.
Pois é…ele aparentemente não é muito fã dessa história de vingança e tal. Mas ele também conta com duas armas, que podem ( e devem ) eventualmente serem usadas pra destruir os inimigos no caminho. Não me pergunte como Mach Rider dirige e atira DUAS armas ao mesmo tempo, mas o cara deve ser muito foda mesmo pra conseguir tal feito. Embora em algumas ilustrações originais as armas possam ser vistas “embutidas” na frente da moto, o que até mesmo condiz melhor com o modo como os tiros são disparados no próprio jogo.
Após a breve introdução, uma última frase aparece: You are Mach Rider!…sim, só isso, é dai pra meter pipoco e derrapar nas pistas. Bom, é 1985 não é mesmo?…não da pra se esperar profundidade dos jogos da época…

Mach Rider (JU)

Nada mais aterrorizante do que um alien quadriciclo cor de rosa.

Muitos modos de jogo…nenhuma misericórdia

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Fichinha carimbada nos velhos 9999999999 in 1 dos famiclones que a galerinha BR jogava muito nos anos 90, creio que muitos de vocês certamente tiveram contato com Mach Rider.
Contando com três modos de jogo levemente distintos, e um de edição de pistas que só podiam ser salvas caso tivesse um Famicom Data Recorder, acessório pouco conhecido e só lançado no japão. O jogo dava ao jogador várias formas de se encarar seus desafios, isso é…ao menos para a época.
O primeiro, e digamos que principal modo, é o Fighting Course…e OH BOY! A coisa aqui é mais feia e cabeluda que playboy dos anos 80 entendedores entenderão. Se você acha que já viu jogos sem misericórdia do jogador…THINK AGAIN!
Antes de descrever como o jogo funciona, eu poderia resumir tudo e encerrar o post simplesmente descrevendo Mach Rider como “Corra pra caralho e tente não bater em nada”.
Mas vou tentar explicar o pouco de profundidade que o jogo tem. No modo Fighting, o objetivo do jogador é apenas chegar vivo ao final dos KM necessários pra chegar na próxima etapa. O problema é que pra isso, o jogo te dá na primeira pista, uma certa quantia de energia, e na segunda, vidas, baseadas em quanto desse energia sobrou. Sim, eu também nunca entendi isso direito…

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No futuro pós apocalíptico, ninguém vai limpar as estradas dos latões de…seja lá o que forem.

A coisa piora, quando os tiros disparados, que podem ser utilizados para destruirem alguns latões que servem de obstáculos na pista, e também os inimigos, também são limitados. Como se desgraça pouca fosse bobagem…o jogo não te dá continues, e como já citado anteriormente…sua energia, que se transforma em vidas na segunda parte do jogo, não é recuperada. Mach Rider por sua vez, não parece ser humano, ou…humanóide, o que seja. Pois quando se choca com QUALQUER COISA…simplesmente explode em pedacinhos…e logo em seguida, se reconstrói. Obviamente que a gente pode pensar que isso é apenas um efeito tosco de “destruição” causado pelo hardware fraco do NES. Mas no troféu de Mach Rider, presente em Super Smash Bros Brawl, é dito que ele simplesmente “se reconstrói” MESMO após explodir…
Talvez ele seja feito de LEGO.

Porém, nenhum castigo pro jogador é pouco, o jogo conta com quatro marchas. Mas se você quiser ser cauteloso e jogar tudo na primeira, os inimigos vão surgir na velocidade da luz atrás de Mach Rider, e explodí-lo numa encoxada malígna que o fará explodir em mil pedaços. E se o jogador quiser ir em qualquer velocidade acima da primeira, o jogo vai entrar em HYPER-FAST-PUNHETA-NONSTOP MODE e ai, é igual pegar busão na hora do RUSH, reza pra sair vivo meu filho. É praticamente IMPOSSÍVEL ter qualquer controle total de fato da moto nas maiores velocidades. O jogo de modo algum não é funcional, ele tem um controle bem responsivo sim, mas como tudo é gerado randômicamente em cada pista, inclusive A PRÓPRIA PISTA, você nunca sabe quando conseguirá uma rota mais fácil, ou uma que parece um intestino grosso: cheio de curvas e merda pra todo lado.
As pistas começam simples, apenas com alguns latões nas laterais e no meio da pista de obstáculos, fora os inimigos, obviamente.

Mas após três etapas mais ou menos, essas serão as coisas que vão aparecer de forma totalmente aleatória nas pistas: latões cinzas que podem ser destruídos, latões pretos, que são indestrutíveis, pedras, também indestrutíveis, bolas de luz, bombas, poças de água, poças de óleo, tachinhas ( ? ) para fazer Mach Rider derrapar, e obviamente, váriações de inimigos, indo dos simples até os indestrutíveis.

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Mach Rider e sua motoca, em toda glória 8-bits.

O que piora a coisa, é que o jogo encoraja o jogador a praticamente só jogar em uma velocidade alta, porque como disse antes, em velocidades menores, os inimigos teleguiados vão bater na traseira de Mach Rider e explodir ele TODA HORA. Inclusive praticamente acabando com o jogo logo na primeira pista. Qualquer tentativa de ser cauteloso no jogo, não compensa e não funciona.
Endurance Course já é o modo mais ameno e o menos filha da puta maldoso com o jogador. Aqui não tem vidas e nem energia ( embora os tiros ainda sejam limitados e estocados de volta a cada pista completada ) o que significa que o jogador pode bater a vontade em toda e qualquer desgraça que será jogada aos montes nele pelas pistas. Porém, os inimigos ainda estão presentes. A coisa aqui, agora é contra o tempo, o jogo dá ao jogador a missão de percorrer tantos KM, em um certo limite de tempo, cada batida são preciosos segundos perdidos. Mas ainda assim, as chances de ir mais longe no jogo, são astronomicamente maiores nesse modo.

Ainda assim, é aqui que o jogador REALMENTE precisa jogar a pista toda praticamente, na velocidade 4. Pois apesar de começar mais “folgado”, os limites de tempo vão cada vez mais sendo menores, pra quantidade de KM necessária para se chegar na próxima etapa.
O que não muda em nada o sentimento de “correr pra caralho e torcer pra não bater em nada”, pois por maior e mais responsivos que os controles sejam, poças de água e óleo vão surgir em locais aleatórios, assim como pedras, galões e tudo mais que juntos, não poucas vezes, vão destruir o jogador várias e várias vezes seguidas. Isso sem contar os inimigos que vão te empurrar pras laterais a todo momento.

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Você verá muito essa mensagem.

Por último, antes do modo de edição de pistas, temos o Solo Course. Aqui, é a mesma coisa de antes, só que, não existem inimigos. Só Mach Rider correndo contra o tempo e contra os lixos jogados nas pistas ( quase como dirigir pelas rodovias brasileiras ).
Porém, o modo que os programadores encontraram pra contornar a falta dos inimigos, foi colocar ainda mais obstáculos nas pistas, e obstáculos mais perigosos aparecendo desde cedo logo nas primeiras. O que faz com que esse modo também não seja nem um pouco amigável, e em minha opinião, mais difícil do que o Endurance Course.

A última opção, presente apenas nas versões japonesas e nas atuais de Virtual Console do jogo, é o modo de edição de pistas, chamado “Design”. Não exigindo nenhuma explicação aprofundada, ele apenas dá ferramentas ao jogador para que crie suas próprias pistas; e possa torturar os amigos com elas.

Encerrando

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Mach Rider, hoje, pode parecer arcaico. Mas para sua época, não deixa de ser um jogo de certo modo ambicioso. A jogabilidade e dificuldade soam como uma experiência de arcade, mas foi um jogo lançado para um console, em uma época onde o Famicom estava engatinhando ainda. Provavelmente por esses fatos, o jogo veio a ganhar uma versão de fato para arcades pouco depois, entitulada de VS. Mach Rider.
Por ser um jogo “de corrida” onde o objetivo não era apenas chegar em primeiro lugar, contando com vários ( para a época pelo menos ) modos de jogo. E com um pano de fundo que lembrava o saudoso filme Mad Max, Mach Rider também se afastou bastante do padrão de jogos de corrida convencionais, além de ter uma temática bem diferente do que os jogos mais comuns da Nintendo costumavam apresentar.

Após um único jogo, o título foi aposentado precocemente. Uma pena, pois mesmo não sendo algo nem próximo de perfeito, é um jogo divertido. O fato triste é que o jogo provavelmente sofreu ainda mais devido ao hardware limitado do NES, que contribuia para que sua jogabilidade acabasse sendo mais difícil do que deveria.
A quem diga que o sucessor espiritual do jogo tenha sido F-Zero…que mesmo tendo mais sorte do que seu antecessor, hoje está igualmente de escanteio junto de muitas outras franquias dormentes da Nintendo.
As chances de vermos um novo Mach Rider hoje são praticamente nulas. Mas uma versão com efeito em 3D no Virtual Console do 3DS seria muito bem vinda…

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5 respostas para Remember: Mach Rider

  1. Se ela quisesse podia fazer um jogo de moto arcade com isso ai que seria paulera, vide mario kart 8. Mas na real, eles nem lembram.

    • Tiago Steel disse:

      Pois é Angelo, mas na época já tinham coisas muito superiores como Hang-On. O diferencial, era essa vibe “Mad Max” de Mach Rider. Não era apenas chegar em primeiro lugar, na real, nem era chegar em primeiro. Era apenas sobreviver na pista.
      Com certeza era uma franquia que poderia ter tido uma sobrevida ai até os 16bits, mas hoje em dia já era algo que só funcionaria bem mesmo em um “revival” bem simplório como um jogo digital e tal. Mas como sabemos, a Nintendo tem histórico de só investir em jogos “caros”, ela não costuma mais fabricar jogos simples a preços acessíveis. Agora Nintendo virou “jogo gourmet” hahaha.

  2. Rogerio disse:

    E ai!!!! Conheci seu blog quando estava procurando sobre Dragon Quest, to fazendo uma maratona do game kkkk muito o bom o conteudo aqui e seus texto são ótimos parabéns!!

    • Tiago Steel disse:

      E ai Rogerio, que bom que chegou até aqui. É difícil achar matérias sobre Dragon Quest em sites BR. Mas fico feliz que esteja fazendo uma maratona da série, com certeza são JRPGs que merecem serem jogados.
      Valeu por continuar visitando o site, vamos ver se futuramente faço mais um post sobre JRPGs. Obrigado pelo apoio!

  3. Waldemar Álvares disse:

    Um dos primeiros jogos que experimentei no meu finado Dynavision IV. Gosto muito ainda de uma partidinha no fim de semana. Acho que ficarei velho jogando 8 bits….

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