Pérolas que não atravessaram o oceano: 11 Baroque

baroque saturn

E para comemorar a “volta” do Retro Journey após um mês e meio de monotonia, lhes trago mais uma “pérolas que não atravessaram o oceano”, afinal sei que essa é a seção preferida de nove a cada dez frequentadores daqui. Dessa vez o game que lhes trago não pode ser chamado de outra coisa além de “único”.
Baroque foi um jogo que eu conheci graças ao Nintendo Wii onde a princípio não tive muita sorte pois por algum motivo divino ( ou não ) o jogo não funcionava direito travando quase sempre. Tempos depois fui tentar rejogá-lo, mas agora sabendo que na verdade a versão Wii era um remake do original, lançado inicialmente para Sega Saturn e portado para o Playstation da Sony.
De conhecimento disso, me aventurei pela versão original do jogo e o resultado vocês  podem conferir abaixo. Então se quer saber o que faz de Baroque um jogo tão único é só continuar lendo!

Death Is Just The Beginning

baroque

Lançado pela Atlus em 1998 inicialmente para o console Sega Saturn e pouco tempo depois portado para o Playstation, Baroque é o que podemos chamar de “RPG de terror”. Com a potência que o console da Sega proporcionava na época graças a mídia em CD, foi possível aos criadores adicionarem efeitos sonoros aterrorizantes o que deixou o jogo com um toque bem Silent Hill em sua trilha sonora. De fato Baroque acaba sendo uma mistura de Shin Megami Tensei e Silent Hill, o que só de ouvir já mostra que a atmosfera do jogo não é nada amigável ou feliz e sim de puro horror e bizarrice.
Tudo começa quando uma enorme explosão elimina praticamente todos os seres humanos e destrói todo o mundo deixando apenas ruínas. Esse “novo” mundo nascido desse bizarro e desconhecido evento é o lar de criaturas mutantes e bizarras que convivem entre sí em uma cidade desolada nos arredores da única construção existente no mundo, uma torre chamada “Neuro Tower”.

"A nada amigável Neuro Tower"

“A nada amigável Neuro Tower”

No início do jogo é possível ver alguns seres trajando o que parece ser trajes de proteção, como os usados por médicos ou em locais com perigo biológico ou de radiação. A impressão que temos é o de estarem fazendo algum tipo de experimento, e o personagem príncipal que o jogador controla é uma das vítimas desses experimentos. Após acordar sem lembrança alguma e aparecer na tal cidade destruída ele descobre que seu destino é se aventurar pela tal Neuro Tower em busca das respostas sobre quem ele é.
E é assim que o jogo vai se desenrolar, Baroque é essencialmente um Dungeon Crawler do tipo mais cru possível. O herói sem lembranças e aparentemente sem personalidade na realidade aparenta ser mais profundo do que o jogo consegue mostrar, sendo uma pessoa desiludida e depressiva por culpa de algum pecado que ele cometeu. O qual ele deve descobrir e consertar adentrando cada vez mais fundo na Neuro Tower.

"Um dos habitantes da cidade em ruínas. Esse dai se pegar um torcicolor morre."

“Um dos habitantes da cidade em ruínas. Esse dai se pegar um torcicolor morre.”

A princípio o jogador conhece um personagem chamado apenas de “archangel”, esse anjo fica sempre na entrada da Neuro Tower e por algum motivo quer ajudar o protagonista lhe dando uma poderosa arma cada vez que vai entrar na torre. O único porém é que essa arma tem pouquissíma munição se tornando inútil depois de pouco tempo. É ai que notamos que Baroque é um daqueles dungeon crawlers dificilímos e que provavelmente vai nos dar vontade de arremessar o joystick na parede mais de uma vez.
Como a versão que estou analisando aqui para vocês é a primeira, do Sega Saturn/Playstation a jogabilidade dentro do dungeon ( Neuro Tower ) é vista inteiramente em primeira pessoa e seu personagem anda extremamente lento. O combate é mais cru do que um Sashimi resumindo-se apenas á apertar o botão de ataque e torcer para que mate o inimigo antes dele matar você. Não existe esquiva ou defesa, o próprio jogo ironiza isso quando você passa por um dungeon de treinamento na cidade, onde o personagem em cargo desse treinamento diz algo do tipo “Não se preocupe com esquivar-se apenas ataque!”

"Por favor senhor teria um minutinho para ouvir sobre a palavra do...hey senhor! Só um minutinho do seu tempo!"

“Por favor senhor teria um minutinho para ouvir sobre a palavra do…hey senhor! Só um minutinho do seu tempo!”

Como se o combate não fosse cru o suficiente os agravantes do sistema de jogo não param por ai. Por ser um dungeon crawler com andares e itens gerados randômicamente, as chances de você não achar equipamentos bons e morrer logo no ínicio são bem grandes. Embora a primeira sala do dungeon costume sempre ter uma arma e uma “armadura” esses itens podem não ser o suficiente para segurarem a barra conforme se avança na torre. E se você não der sorte de encontrar coisas melhores andando aleatoriamente, bye bye provavelmente algum inimigo poderoso vai te ferrar sem dó de nenhum orifício. Mas as coisas não param por ai, por ser um dungeon crawler oriental de raíz Baroque segue algumas regrinhas básicas. Por exemplo, seu HP vai se recuperando constantemente enquanto caminha, porém sua barra de “vitalidade” não. Quando sua vitalidade se esgota seu HP começa a decair feito louco, e ai para recuperar só com um item específico ou derrotando inimigos e recolhendo umas orbs que eles deixam. Porém nem sempre você terá esses itens a mão na hora que precisa, e o que ganhar derrotando os inimigos pode não ser o suficiente, e ai vem a frustração.

"Os cenários do jogo é como se a série Shin Megami Tensei e a série Silent Hill tivessem feito um bebê."

“Os cenários do jogo são como se a série Shin Megami Tensei e a série Silent Hill tivessem feito um bebê.”

Para adicionar insulto à injúria, Baroque é um daqueles roguelike games onde após ser derrotado o jogador perde tudo, desde todos os itens e equipamentos recolhidos na torre até os lvls ganhos das batalhas contra os monstrengos. Ou seja, se morrer….todo seu avanço vai pro saco. Porém e se eu lhe dizer que a morte em Baroque é necessária? Sim exatamente, diferente de qualquer outro game que possam conhecer, em Baroque você PRECISA morrer constantemente para poder avançar através do enredo do jogo!
Não sei se idealizaram isso de cara e por isso colocaram esse sistema roeguelike/dungeon crawler terrível justamente para matar os jogadores mais rápido, ou se viram que o jogo era tão difícil que seria mais fácil fazer o jogador avançar morrendo mesmo, mas no fínal das contas é algo extremamente criativo.
Nos primeiros momentos do jogo nada fica claro, parece que não existe objetivo ou avanço algum, até que morremos a primeira vez e notamos que novos eventos e NPCs vão aparecendo na Neuro Tower a cada nova morte. Fora dela na cidade destruída os NPCs vão lhe pedir itens que devem ser encontrados na torre, em outros momentos precisará levar algo de fora para dar a um NPC de dentro da torre e assim por diante. Cada morte lhe deixará mais perto de descobrir o enredo do jogo e isso foi realmente uma sacada de mestre para deixar Baroque um jogo diferente dos demais.

"Oh o bicho vindo véi...oh o bicho vindo!!!"

“Oh o bicho vindo véi…oh o bicho vindo!!!”

Mas claro que após ter malhado o sistema de jogo de Baroque eu teria que dizer o que é bom no jogo não é mesmo? Além da idéia do “avanço através da morte” o jogo ainda tem outros pontos interessantes. Um deles são os cenários com uma atmosfera obscura e desoladora o que eu gosto bastante, o design dos inimigos é primoroso contando com criaturas mutantes que te atacam das maneiras mais estranhas possíveis, como um dos inimigos que “arremessa” diarréia sanguinolenta na direção do protagonista. O jogo inteiro é bem dark, desde os cenários e os efeitos sonoros até mesmo todos os moradoras da cidade próxima a Neuro Tower, até mesmo os itens que usaram para recuperar HP/Vitalidade são coisas como ossos e corações. Pois é, seu personagem come ossos e corações dos monstros derrotados para se manter vivo dentro da torre…o que poderia ser mais badass que isso?!
Se juntarmos elementos como character/enemy design, efeitos sonoros, criatividade e contexto do enredo conseguimos fácilmente superar o pobre sistema de jogo de Baroque, afínal não é isso que o torna um jogo tão único mesmo para os padrões atuais.

"Arrependa-se dos seus pecados ou...ah dane-se ou nada não...você já ta ferrado mesmo."

“Arrependa-se dos seus pecados ou…ah dane-se, nada não…você já ta ferrado mesmo.”

Finalizando…

Para encerrar esse post eu diria que se você é um jogador sempre a procura de novas experiências vale a pena conferir Baroque. A versão que trouxe aqui é a do Sega Saturn portanto é bem mais antiquada com um sistema de batalha em primeira pessoa e bem cru. Mas se quiser algo mais recente temos os remakes para PS2 e Nintendo Wii, algo que não consigo entender…como um jogo tão bizarramente obscuro e complexo ganhou um remake?!…E pior, ainda foi lançado no ocidente! Com certeza só poderia ser a Atlus mesmo para arriscar isso. Toda a narrativa do enredo que eu disse no post foi tirada da versão Wii, já que a original do Sega Saturn nunca foi lançada por essas bandas.
Os remakes para PS2 e Wii ( que são a mesma coisa com excessão dos controles diferenciados ) contam com gráficos bem melhores ( mas ainda assim abaixo dos padrões de suas respectivas gerações ) e uma jogabilidade em terceira pessoa e não em primeira como no original e um pouco menos travada mas não menos ruim. Toda a narrativa aparentemente continua intacta o que é ótimo para entender o enredo do jogo. Eu diria que o original é bem mais “charmoso” com os gráficos 3D precários dos cenários contrastando legal com os inimigos e personagens feitos em 2D, me cativaram e aparentemente combinaram bem mais com o jogo do que os da versão 3D, além do jogo parecer mais aterrorizante em sua versão original. O único porém realmente é o fato dele estar todo em japônes portanto fica a critério de cada um, é praticamente impossível jogar a versão japonesa sem um faq ou sem ter conhecimento do que precisa ser feito por já ter jogado o remake de PS2/Wii.

"Foto do remake para Nintendo Wii. Os gráficos estão melhores mas por algum motivo o jogo perdeu parte do "charme" para mim."

“Foto do remake para Nintendo Wii. Os gráficos estão melhores mas por algum motivo o jogo perdeu parte do “charme” para mim.”

Se você gosta de games “dark” e sempre imaginou como seria uma mistura de Shin Megami Tensei com Silent Hill, esse jogo é feito para você. Não é um game comun e nem é divertido de se jogar se não for para curtir a “experiência única” que ele proporciona. A não ser é claro que você seja algum masoquista fanático por dungeon crawlers orientais, nesse caso o jogo deve ser um prato cheio.
See ya!

baroque-

P.S.: Post escrito ao som de King Diamond – Catacomb

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9 respostas para Pérolas que não atravessaram o oceano: 11 Baroque

  1. Cara, esse jogo não é pra mim mesmo. Esse clima de terror me mata e esses gráficos do saturn são a prova de que 2D é sempre a melhor opção( ta não é mas vá la xD).Jogabilidade durona? Aí lasca. òtimo post ^^

    • Tiago Steel disse:

      E ae Alexsander beleza meu velho? Hahaha por quê não é pra você? Não curte jogos dark e tal? Pô que pena, sei que é questão de gosto e tal…eu particularmente adoro XD
      A questão é que sei lá cara, os gráficos em 2D parece que passam uma sensação mais amedrontadora, não sei explicar…3D parece quando vemos filmes de terror feitos usando muita CG…parece que perde parte do “terror” saca? Mas a parte ruim é a jogabilidade mesmo é bem travadona…enfim, valeu pelo elogio cara!

  2. de volta Tiago, beleza ver um novo post aqui.

    esse Baroque só ouvi falar da versão PS2, nem imaginava que tinha para Saturn. o da versão PS2, um primo chato pegou o jogo, mas não aguentou o ritmo do game e fora jogar Wing Elevi 2888.

    certas pessoas não tem cabeça para Rpg.

    e cara, jogo misturado de SMT e Silent Hill? cara, se ambos são bizarros e até assustadores…meu padim ciço, só imagino as coisas lindas que encontraria nesse game, e gostei das fotos, lembra os primeiros SMT do SNES e comparando com os gráficos do WII, realmente jogos assim perdem a magia em 3D. acho que estando no 2D, parece ser muito mais macabro, eu poderia pegar esse para o Emulador do Saturn, mas meu PC formatou recentemente : (

    mas mesmo assim me interessou, ao menos para uma jogada, estou cansado desses mega lançamentos atuais, algo mais antigo seria bom para variar.

    • Tiago Steel disse:

      Opa Leandro, também é legal te ver comentando aqui mais uma vez meu chapa!
      A versão que você citou do PS2 é a mesma do Wii ( não sei se tem alguma diferença gráfica ou apenas de resolução que no Wii pode ser um pouco maior ACHO ) que eu tenho aqui e joguei primeiro que essa do SEGA Saturn. Nossa cara trocar uma pérola dessa por “wing élevi” é tenso, mas a gente tem que entender que nem todo mundo tem a percepção que nós temos pros games né cara…o problema é ir jogar futebol que convenhamos….não desce, ao menos pra mim não hahaha.
      E sim velho, é uma mistura de megaten com Silent Hill, se for jogar pra valer uma hora ou outra vai entender. Os dungeons em primeira pessoa lembram muito shin megami tensei, o design dos monstros também lembram um pouco, e os efeitos sonoros são dignos de Silent Hill, dai eu disse que é praticamente uma mistura dos dois. Quanto ao emulador de Saturn cara, tem um tutorial legal dele no Shugames do Cosmão, se precisar reconfigurar e tal confere lá!
      Vale a pena jogar esse game se você curte os jogos da Atlus, principalmente esses mais macabros x)

  3. Marcelo S Barbosa disse:

    Fala Tiago legal que vc voltou a postar de novo no retro journey. Cara muito loko este game tava dando uma olhada nas imagens (versão SATURN) e o visual é muito dark mesmo da a impressão daqueles filmes trash que a gente curtia quando muleke xD. Agora ter que morrer para avançar no game só podia ser coisa dos japas mesmo. É por isso que (não desfazendo dos jogos ocidentais claro que tem muitos bons)mas
    prefiro os jogos que vem da terra do sol nascente pois são muito mais originais abraços cara

    • Tiago Steel disse:

      E ae Marcelo tranquilo meu velho? Pois é…muito gente deve ter pensado que eu havia sumido de vez do Retro Journey hahaha. Mas ja to de volta.
      Então cara, o visual do Nintendo Wii/PS2 também é bem dark e tal, mas soa menos macabro do quê a versão Saturn, acho que por não ter esse granulado dos gráficos 3D mais fracos, ou pelas cores serem mais definidas, no Sega Saturn parece que era mais “deprê”. Fora que as criaturas em 2D ficam realmente mais trash mesmo, de uma forma mais amedrontadora, o 3D não passa essa sensação tão bem, na minha opinião é claro.
      E eu acho que a maior sacada foi essa mesmo, de avançar morrendo…eu achei muito interessante na primeira vez que morri voltei pra torre e ví que tinha mudado alumas coisas e a história tinha avançado. Acho que um game ocidental nunca faria algo assim, príncipalmente nessa época em que Baroque foi públicado. Valeu por estar sempre acompanhando o Retro Journey bro! Abraço!

  4. Adriano disse:

    Ótimo post cara, realmente as novas versões para Wii e Ps2 perderam aquele clima. A mesma coisa se compararmos o filme do Exorcista com esses filmes novos de terror, acho que em algumas vezes a precariedade e falta de recurso faz com que coisas melhores sejam feitas. O remake parece mais um desses joguinhos que tem aos montes por ai. Enfim ótimo post, até mais!

    • Tiago Steel disse:

      E ae Adriano, tranquilo cara? Valeu pelo elogio velho.
      O clima do jogo não ficou assim tão ruim, os efeitos sonoros e tal ainda criam uma atmosfera legal e tal, mas realmente, como você mesmo pode ter notado não ficou nem um terço do quê era no original. Não só o exorcista como qualquer filme de horror antigo fica melhor em suas versões originais, pois é como você disse a precariedade e falta de efeitos especiais deixava as coisas mais reais. O uso do CG hoje em dia tira todo aquele clima de quando viámos criaturas feitas com maquiagem. O remake ficou muito sei lá, animesco…parece apenas um anime bizarro. Não tem nem de longe aquele climão de horror do original. Mas não é de todo ruim. Valeu pelo comentário, volte sempre cara!

  5. Nando disse:

    Ola galera do Retro Journeyl, tudo bem? Eu sou o Nando, e tenho um blog dedicado aos assopradores de fita e admiradores de jogos antigos. Vou abordar classicos que marcaram a infancia e a vida de muitas pessoas! Costumo postar a cada 3 ou 4 dias. O endereco é o seguinte:

    ultimateretroplayer.blogspot.com

    Espero que gostem. Desejo ver voces la no blog! Grato pela atencao de voces, falow… 🙂

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