Pérolas que não atravessaram o oceano: 7 Downtown Special: Kunio-kun no Jidaigeki da yo Zenin Shugo

Olá á todos os frequentadores do Retro Journey! Aqui estou eu mais uma vez para prestar aquele serviço de utilidade pública que a maioria dos que aqui frequentam adoram. É hora de mais uma “Pérolas que não atravessaram o oceano” desta vez o jogo que quero lhes apresentar é o íncrivelmente divertido “Downtown Special: Kunio-kun no Jidaigeki da yo Zenin Shugo”. Nos primórdios do Retro Journey ( soa até meio egocêntrica essa frase se levarmos em conta que ele AINDA está em seus primórdios XD ) fiz um pequeno review do game Shodai: Nekketsu Kouha Kunio-kun, que é apenas mais um dos muitos estrelados pelo mascote mais famoso da Technos no japão o eterno Kunio-Kun. Pois bem, agora imagine um River City Ransom passado no japão feudal…conseguiu imaginar? Pareceu divertido né?…Então alegre-se pois Downtown Special: Kunio-kun é exatamente isso! Venha comigo se quiser descobrir por que este é um dos games mais interessantes que o público ocidental infelizmente não conseguiu conferir.

Quebrando tudo no passado!

Você não bateria em um cara de óculos, bateria?

Você não bateria em um cara de óculos, bateria?

Lançado em 1991 no japão Downtown Special: Kunio-kun no Jidaigeki da yo Zenin Shugo segue mais uma vez a história do icônico personagem Kunio, da série de jogos que conhecemos aqui no ocidente como “River City Ransom”. A primeira diferença como eu já citei anteriormente é justamente o fato do game não se passar nas épocas mais modernas como era o caso dos anteriores da série, desta vez também o jogador controla Kunimasa que é um ancestral de Kunio, o que mostra que desde os tempos mais remotos Kunio já possuia pancadaria na veia.
A história do game começa com Kunimasa e seu parceiro se dirigindo ao dojo de seu mestre Bunzo, chegando lá descobrem que o mesmo está doente e assim recebem a missão de encontrar uma cura para sua enfermidade. Como se apenas este fardo não fosse o suficiente, Okoto a garota que Kunimasa ama foi sequestrada por dois individuos aparentemente a mando do rival amoroso dele chamado Asajiro. Com motivos o suficiente para fazer o que mais sabe de melhor, Kunio agora precisa cruzar o japão para cumprir estes dois objetivos, achar a cura para seu mestre, e descobrir o paradeiro de sua amada sequestrada, tudo óbviamente na base da porrada!

Amigo pra todas as horas!

Porradaria ao entardecer, se não fosse um game seria um filme da Sessão Kickboxer

Porradaria ao entardecer, se não fosse um game seria um filme da Sessão Kickboxer

Quem já está familiarizado com a série River City Ransom sabe muito bem como é a jogabilidade deste jogo pois ele não se diferencia muito dos anteriores nesta parte. Uma das diferenças em relação ao titúlo que mais conhecemos aqui que é a versão do NES é que em Downtown Special: Kunio-kun no Jidaigeki da yo Zenin Shugo o jogador conta com um parceiro controlado pela CPU o que no anterior não era possivel sem um segundo jogador. O auxilio deste parceiro facilita em muito certos confrontos já que a inteligência artificial apesar de não ser das melhores consegue pelo menos manter os inimigos ocupados, e o jogador ainda tem a opção de escolher como a CPU se comportará podendo-a por para atacar feito louco ou um pouco mais defensiva. Outro fato interessante é que agora Kunio ( Kunimasa ) conta com mais de um parceiro, na verdade desta vez a uma variedade enorme deles! Grande parte destes parceiros são inimigos derrotados que pedem uma segunda chance e resolvem se unir a você após reconhecerem que é mais forte. Cada um conta com status e habilidades diferentes o que abre um enorme leque de possibilidades quando se esta empacado em um certo boss, quando um destes parceiros morre, outro o substitui até que ele esteja recuperado, também é possivel trocar de parceiro quando bem desejar indo ao dojo do mestre Bunzo.

Tour da pancada!

Cruzar o país espancando todo mundo, a melhor maneira de se aproveitar uma viagem!

Cruzar o país espancando todo mundo, a melhor maneira de se aproveitar uma viagem!

Mais uma diferença em relação aos games anteriores e que deixam esta versão ainda mais divertida é que desta vez o jogador não está limitado a uma rota pré definida podendo percorrer  o mapa do jogo da maneira que desejar. Isso cria uma sensação de liberdade muito maior e contribui para que o game seja menos cansativo, se está cansado de uma área, apenas abra o mapa e pule para outra. Apertando o botão B na tela de pause o mapa do game surge mostrando sua posição assim como a dos samurais inimigos, alguns destes grupos na verdade nem são inimigos e sim algum NPC esperando para lhe ensinar uma nova técnica ou lhe dar algum item então é sempre bom conferir. Viajar pelo japão feudal de Downtown Special: Kunio-kun no Jidaigeki da yo Zenin Shugo nunca será uma jornada estressante ou sem graça pois cada área do mapa é única com cenários muito bonitos e diferentes tanto na temática quanto na jogabilidade, um dos cenários por exemplo é uma série de quedas d’agua que fazem os personagens se moverem mais lentamente ou cairem pela cachoeira e ficarem imobilizados por um tempo enquanto são movidos pela correnteza, outro é uma montanha de gelo onde é fácil escorregar e dar de cara em uma parede ficando assim tonto. O game também conta com várias cidades uma bem diferente da outra e com lojas específicas. Com toda certeza os cenários são um dos maiores atrativos do jogo e poder visita-los a hora que quiser sem restrições só deixa tudo ainda mais agradável.

Tretas de Hong Kong!

É isso o quê acontece com samurais que vestem rosa!

É isso o quê acontece com samurais que vestem rosa!

O combate em Downtown Special: Kunio-kun no Jidaigeki da yo Zenin Shugo segue o mesmo quebra pau que a série River City Ransom sempre teve, um botão para soco, um para chute e algumas combinações para golpes especiais, os pulos também continuam sendo feitos apertando A+B ao mesmo tempo o que nunca foi muito bom mas como sempre é questão de costume. Assim como já é conhecido da série o jogador ainda conta com várias lojas onde é possivel comprar comida, e outros itens assim como alguns shops escondidos espalhados por todo o mapa onde é possivel adquirir itens e golpes especiais que custam muita grana. Não esquecendo é claro também dos famosos inn onde uma boa noite de sono cura qualquer coisa ( é um bom conselho sempre parar quando encontrar um pelo caminho ). Apesar de todas semelhanças algumas mudanças leves e úteis foram feitas como adição de novos golpes especiais e um inventário separado para os golpes especiais o que ajuda bastante já que deixa mais espaço para os itens e deveria ter sido feito desde o começo da franquia, afinal misturar golpes e itens em um único inventário não é lá muito prático.
Seguindo a história do jogo Kunimasa deve viajar pelo japão feudal derrotando vários clãs de samurais, a maioria destes são irrelevantes para o avanço do jogo e só estão ali para “encher linguiça” mantendo o jogador ocupado até que ele enfim encontre o clã certo que dará andamento na história, seja com uma pista ( que levará a um novo ciclo onde mais grupos de inimigos surgirão no mapa ) ou com a adição de um novo parceiro. Pelos cenários do jogo estão espalhados vários objetos que vão desde bambus ( Oe, e o bambu?! ) até baldes e tampas de madeira, cada um destes objetos podem ( e devem ) ser usados como armas pelos personagens. Cada um deles possuem animações, efeitos e danos diferentes sendo de extrema utilidade nas lutas contra os líderes dos clãs inimigos, cabe a cada jogador escolher aquele que acha melhor, eu por exemplo prefiro a carroça. Um dos especiais do jogo inclusive é relacionado aos objetos e faz com que seu personagem bata em uma velocidade anormal, ultra rápida quando estiver de posse de um deles…é meu preferido.

A guerra do ópio!

Nada mais romântico do que uma bela porradaria a luz da lua

Nada mais romântico do que uma bela porradaria a luz da lua

Infelizmente nem tudo são flores em Downtown Special: Kunio-kun no Jidaigeki da yo Zenin Shugo. O jogo é lotado de slowdowns terríveis e também daquele velho glith que os games de NES apresentavam onde os personagens começam a piscar constantemente quando a tela esta muito abarrotada de inimigos e itens…o que digamos de passagem tem de sobra em cada cenário do jogo! Com certeza é o preço a se pagar por um game tão belo, extenso e cheio de opções como este, mas de fato não é algo da qual podemos negar e deixar passar batido pois os slowdowns são realmente constantes e inconvenientes. De fato foi uma das vezes em que mais fiquei frustrado com este tipo de coisa, sempre estive acostumado com slowdowns em vários retro games, mas neste a coisa toma proporções realmente catastróficas o que pode acabar afastando aquele jogador mais sem paciência com isso. Outro fato que não me encomoda, mas que com certeza pode encomodar muita gente é que o jogo por vezes parece não avançar, enquanto viajamos pelo mapa é muito mais constante batermos de frente com clãs de samurais que só estão ali para nos dar dinheiro e mais nada. Enquanto os clãs mais fortes e que fazem a história avançar demoram mais a aparecer, muita gente por exemplo pode jogar por horas a fio sem entender direito o que estão fazendo e considerar o jogo algo sem fundamento. É de extrema importância prestar atenção nas conversas para que certos pontos da trama não passem batidos e acabem gerando essa sensação de “mas não tá acontecendo nada até agora!”.
É o tipo de jogo feito pra quem gosta de um beat’em up cômico, profundo e repetitivo pois o jogador estará sempre refazendo o mesmo ciclo de lutas irrelevantes uma atrás da outra até enfim surgir um clã mais forte e a história avançar…o que significa fazer isso por mais uma vez e assim por diante até o final. Não é algo que me encomoda pois estou acostumado com esta repetição e até acho divertido, mas mais uma vez…para certas pessoas pode ser tremendamente maçante.

Finalizando

Mesmo com algumas falhas técnicas que comprometem a diversão do jogo em alguns momentos. Downtown Special: Kunio-kun no Jidaigeki da yo Zenin Shugo consegue ser um jogo espetacular, seja pela liberdade proporcionada ao jogador, pelos diferentes golpes e estratégias que podem ser utilizadas e também pelo belíssimo visual que mostra como poucos do que o NES era capaz. Se você gosta da série River City Ransom com toda certeza este game vai te agradar, se gosta de um Beat’em up divertido e com muitas opções também vai se sentir em casa aqui.

O game também teve uma versão para o antigo Game Boy monocromático da Nintendo, e apesar de óbviamente ser bem mais simples que a versão completa para o NES, ainda mantém muito do que o original mostrou, com belos gráficos, golpes e cenários muito parecidos com a versão caseira.
Espero que tenham gostado de mais esta pérola, e vejo vocês na próxima. See Ya!

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8 respostas para Pérolas que não atravessaram o oceano: 7 Downtown Special: Kunio-kun no Jidaigeki da yo Zenin Shugo

  1. kidy x-fire disse:

    Fala Tiago blz? Cara esse game pelo visto nos garante várias horas de jogatina hein? E trás uma das coisas que eu gosto nos jogos antigos que só se vê muito raramente hoje em dia que e a exploração de mapas. Agora imagine um game como este adaptado para os consoles atuais seria o máximo não? Um abraço

    • Tiago Steel disse:

      Opa Marcelo, tranquilo meu velho?
      Realmente com toda certeza posso te afirmar que esse game garante MUITAS horas de jogatina, principalmente se você curtir a série River City Ransom, é um spin off maravilhoso! A exploração de mapas não é tão intensa mas tem bastante opções pra não deixar o game cansativo, é realmente dificil largar dele quando começamos a jogar por mais repetitivo que ele possa parecer. Se este game fosse lançado para os consoles de hoje eu só queria uma coisa…gráficos 2D! Não dá pra imaginar ele em 3D…a não ser talvez com um Cel Shading bacana, e realmente seria excelente!
      Outro abraço velho!

  2. quem diria que River City Ramson tinha a sua versão samurai?

    e como o Kid Fire falou aí em cima, esse seria um dos jogos que mereciam remake para os jogos atuais…se bem não sei se a Technos ainda está no ramo de jogos. gostava do River Ramson, mas ele era muito limitado a exploração, pelo menso esse game com um mapa vai dar uma ilusão disso. e achei bacana ter um companheiro controlado pela CPU, era meio solitário jogar o game anterior…se bem que não vai mudar muita coisa. até chamei meu irmão para jogar junto, mas ele recusou, pois o jogo era velho e não era League of Legends….

    por Mot….dai-me paciência…

    vou zerar esse aí assim que comprar o carregador para o notebook. pois tá osso sem ele.

    • Tiago Steel disse:

      E ai Leandro meu velho!
      Pois é…quem diria que River City tinha um spin off tão inusitado não é mesmo? E digo mais ficou perfeito demais que poderia muito bem render uma série separada, ia ser incrivel…mas até onde eu sei só existe este mesmo em versões para NES e Game Boy.
      A Technos ainda está no ramo de jogos sim, eu acho…por que ví estes tempos atrás que um novo jogo da série Kunio ia ser lançado para o 3DS…bom se não for a Technos ela vendeu a licença do game! E fiquei alegrão quando acredite…ví que uma das telas tinha o cenário deste game! Ai fui investigar mais a fundo e é apenas um jogo de “arena” onde os personagens se enfrentam até um ficar de pé no final, pois é não foi desta vez. Jogue ele cara, te aconselho se gosta de River City…e desta vez não precisa do seu irmão junto, a CPU faz a parte dele, boa sorte haha XD

  3. Gamer Caduco disse:

    E eu sou quase um completo ‘analfabeto’ com River City Ransom… a primeira, última e única vez que joguei foi na exposição Game On quando rolou em SP. O jogo é bem divertido, eu também sou da opinião que merecia um remake nos padrões mais atuais.
    Enfim, isso que dá crescer jogando SEGA atrás de SEGA… hahaha!
    Mas essa versão que não veio para essas bandas parece ser bem divertida, vou colocar na lista infinita de jogos a conhecer. NES e SNES ocupam uma grande porcentagem dela! hehe
    Curti bastante o texto.
    Abraço

    • Tiago Steel disse:

      Opa Caduco beleza cara?
      Analfabeto em River City Ransom…pô é só fazer umas aulinhas em algum emulador que você fica fera rapidinho hahaha XD
      O game não é tão dificil ( como suponho que você tenha percebido ao joga-lo na Game On como citou acima ) tem uma curva de aprendizado bem leve e prazerosa. É o tipo de jogo que mesmo irritado você continua animado para jogar pois é muito divertido mesmo. Tudo bem que você não precisa tomar minha palavra aqui como 100% verdadeira afinal…sou fã de carteirinha da série né XD
      Eu já oposto de você cresci jogando Nintendo atrás de Nintendo, meu primeiro console SEGA foi um Dreamcast…porém eu joguei muito Mega Drive e um pouco de Saturn e os achava íncriveis…nunca fui hater e adorava tanto SEGA quanto Nintendo…só comecei a ficar com raiva de empresa de game quando a Sony surgiu…mas fazer o quê nem vou entrar nesse assunto.
      Realmente NES e SNES tem uma lista quase infinitas de jogos a se descobrir…não importa se você tinha ou não um deles…uma grande parte dos games ficaram de fora do ocidente…e é destes games que eu tento fazer o povo ter conhecimento aqui, pois na maioria são excelentes titulos.
      Valeu pelo elogio, outro abraço!

  4. Cid Falcão disse:

    Olha ai, não se você comentou comigo sobre ele, antes ou depois de fazer a matéria xD
    Ficou braba \m/

    • Tiago Steel disse:

      E ae velho, legal te ver comentando aqui XD
      Então, eu acho que não comentei dele contigo mesmo não, ás vezes eu jogo tanta coisa que fica dificil lembrar de tudo quando nos falamos hahaha, mas se você curtiu a matéria valhe a pena descolar um emulador de NES e jogar a rom traduzida deste jogo, ainda mais sabendo que você é fã de River City como eu, acho que o último que havia jogado ( assim como eu também ) foi o Advance né? Pois este é ainda mais divertido, eu recomendo!
      E valeu pelo elogio bro!

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